Publicidade
970×250

Excedente comercial da UE com os EUA cai 64%. Défice com a China sobe para máximos de 2022

Guerra na Ucrânia levou a União Europeia a importar mais produtos energéticos dos EUA, contribuindo para uma deterioração do excedente comercial. Défice com a China dispara no segundo trimestre.

Partilhar

O excedente comercial da União Europeia com os Estados Unidos reduziu-se no segundo trimestre deste ano, para 29 mil milhões de euros, face a um máximo de 80 mil milhões de euros nos primeiros três meses do ano passado. Em causa está uma redução de 63,75% do registado antes das tarifas comerciais da Administração Trump.

De acordo com os dados do Eurostat, divulgados esta terça-feira, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia impulsionaram as exportações no primeiro trimestre de 2025, com as empresas a anteciparem encomendas, seguindo-se uma forte queda no restante período de 2025.

No primeiro e no segundo trimestres de 2026, as importações e as exportações cresceram em comparação com o quarto trimestre de 2025. No entanto, face ao primeiro trimestre de 2025, as exportações diminuíram 26%, enquanto as importações cresceram 8%.

No segundo trimestre, os excedentes combinados dos produtos químicos e relacionados, máquinas e veículos, outros produtos manufaturados e alimentos e bebidas foram superiores aos défices combinados da energia, matérias-primas e outros bens.

Por outro lado, na sequência da agressão da Rússia contra a Ucrânia, o bloco europeu aumentou as suas importações de produtos energéticos provenientes dos Estados Unidos. Consequentemente, as importações da União Europeia provenientes dos Estados Unidos cresceram mais do que as importações provenientes da China e do resto do mundo, mantendo-se num nível comparativamente mais elevado.

Em comparação com o primeiro trimestre de 2021, a balança comercial da energia caiu de -3 mil milhões de euros para -26 mil milhões de euros, enquanto o saldo relativo a máquinas e veículos aumentou de 16 mil milhões para 26 mil milhões de euros.

Em 2021, a Rússia representava 26,7% das importações energéticas extra-UE. No segundo trimestre de 2026, essa quota caiu para apenas 3,6%.

Os Estados Unidos são agora o principal fornecedor, com 20,8%, seguidos da Noruega, com 13,0%, e do Cazaquistão, com 7,9%.
Números que mostram como a União Europeia reduziu a dependência energética da Rússia, embora continue dependente de fornecedores externos.

Défice comercial com a China atinge máximos de 2022

O défice comercial da União Europeia com a China atingiu, no segundo trimestre, 103 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde o terceiro trimestre de 2022 (107 mil milhões de euros). Entre abril e junho, as importações europeias da China aumentaram 3,8% e as exportações 5,7%, em comparação com o trimestre anterior.

Os dois principais grupos de produtos, tanto nas importações como nas exportações entre a União Europeia e a China nos primeiros dois trimestres de 2025 e de 2026, foram equipamento elétrico e máquinas e componentes mecânicos.

No segundo trimestre, os excedentes combinados de alimentos e bebidas, matérias-primas e outros bens foram inferiores aos défices combinados de energia, produtos químicos e relacionados, máquinas e veículos e outros produtos manufaturados.

“Os elevados défices em máquinas e veículos e outros produtos manufaturados têm sido uma característica constante do comércio entre a UE e a China”, recorda o organismo de estatística europeu.

Balança comercial global da UE deteriora-se

A balança comercial de bens da União Europeia a nível global deteriorou-se significativamente no segundo trimestre, sobretudo devido ao forte aumento da fatura energética.

Os dados do Eurostat revelam que, depois de um excedente de 6,7 mil milhões de euros no primeiro trimestre, a União Europeia registou um défice comercial de 21,8 mil milhões entre abril e junho, uma deterioração de cerca de 28,5 mil milhões de euros. Face ao primeiro trimestre de 2025, antes das tarifas da Administração Trump, quando o excedente atingira 51 mil milhões, a inversão é ainda mais expressiva.

Ler maisPrimeiro elétrico português carrega bateria para mudar as peças da mobilidade no Brasil, Japão, Itália e África

A principal explicação está nas importações, que cresceram 9,9% em cadeia no segundo trimestre, para cerca de 701,8 mil milhões de euros. As exportações também aumentaram, mas apenas 5,4%, para 680 mil milhões. Em termos homólogos, as importações cresceram 11,7%, contra 4,5% das exportações.

As importações energéticas da União Europeia aumentaram cerca de 37% num único trimestre, enquanto as exportações de energia cresceram 25,6%.

Consequentemente, o défice comercial energético passou de 71,3 mil milhões de euros no primeiro trimestre para 101,1 mil milhões no segundo, uma deterioração de quase 30 mil milhões de euros em apenas três meses.

Este agravamento explica, em larga medida por si só, a passagem da balança comercial global da União Europeia para terreno negativo. Exemplo disso é que outros setores continuam a gerar excedentes importantes, como os químicos e produtos relacionados a registarem um aumento do excedente de 47,1 mil milhões para 54 mil milhões de euros. Já máquinas e veículos mantiveram um excedente de 23,2 mil milhões.

Partilhar

Comentários (0)

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião

Precisa fazer login para poder comentar. Entrar

Publicidade
728×90

Receba o melhor do ECO na sua caixa de entrada

15 newsletters sobre economia, mercados, IA, direito e muito mais.