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KPMG corta 5% dos trabalhadores na Austrália após escândalo de auditoria

A consultora australiana vai ainda baixar a remuneração média dos sócios em 13%, na sequência de uma revisão da base de custos. No último ano, as receitas de consultoria caíram mais de 16%.

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A KPMG da Austrália vai despedir 5% dos trabalhadores e reduzir a remuneração média dos sócios em 13%, no âmbito de uma revisão da base de custos e das necessidades de recursos humanos, após um escândalo de auditoria na Big Four.

A empresa justificou o corte com “a persistente fragilidade da economia” e “um ambiente operacional desafiante”, e prevê que o crescimento da operação australiana manter-se-á “moderado” durante pelo menos dois anos. Assim, vai reestruturar sobretudo as áreas de Consultoria e Serviços Empresariais, abrangendo 27 sócios e cerca de 360 ​​colaboradores.

“A empresa também iniciará consultas sobre um pequeno número de cargos com base em acordos coletivos”, lê-se ainda no comunicado divulgado esta segunda-feira com os resultados financeiros do ano fiscal terminado a 30 de junho de 2026. Assim, a KPMG Austrália irá reestruturar algumas equipas, incluindo também a de assessoria a transações para alinhar-se melhor com os serviços internacionais da empresa.

A KPMG Austrália tem estado sob escrutínio depois de alegações de que alguns dos partners de auditoria utilizaram documentos confidenciais de clientes para obter novos contratos. Nos meses que se seguiram, os contratos — não só desta auditora como das suas principais concorrentes — ficaram penalizados.

No último ano, a firma – que é autónoma de qualquer operação europeia da KPMG – reportou receitas totais de 2.257 mil milhões de dólares, o que representou uma queda de 1%, em termos homólogos, devido a um “mercado desfavorável”. Só as vendas de consultoria baixaram 16,9% devido à “redução contínua do uso de consultores pelo governo”.

“Este resultado reflete a resiliência do nosso negócio e, acima de tudo, o empenho dos nossos colaboradores num ano muito desafiante. Continuaram a entregar um trabalho excecional a mais de 13 mil clientes, ao mesmo tempo que se apoiaram mutuamente durante um período difícil para a empresa”, afirmou o CEO da KPMG Austrália, John Sams, na mensagem publicada com as contas do ano fiscal de 2026.

A KPMG da Austrália ficou debaixo dos holofotes em maio por, alegadamente, ter usado indevidamente informações confidenciais do seu cliente Lendlease (imobiliária) para ganhar contratos de auditoria com o banco Westpac e a gestora de ativos Dexus, sendo que não agiu devidamente perante queixas de denunciante. Perante a polémica, o então CEO (Andrew Yates) demitiu-se com efeitos imediatos, pediu desculpa ao whistleblower e foi substituído a nível interino por Stan Stavros e, mais tarde, por John Sams.

Perante o sucedido, a consultora aussie informou que não iria entrar em mais concursos públicos até ao próximo dia 30 de setembro e iria avançar com um “Plano de Remediação claro e robusto”, que irá abordar as principais áreas em que não obteve “os padrões esperados”, e com o qual se compromete “a implementar na íntegra”.

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