Patrick Morais de Carvalho vai propor aos sócios do Belenenses a entrada do fundo APEX no capital da sociedade desportiva do clube como acionista minoritária, numa operação destinada a reforçar a capacidade financeira e de gestão do futebol e a apoiar o regresso à I Liga, apurou o ECO junto de fonte autorizada do atual presidente do clube. A operação implica a transformação da atual SDUQ numa Sociedade Anónima Desportiva e está condicionada a dois passos. Primeiro, Patrick Morais de Carvalho terá de ser reeleito presidente do clube nas eleições de 24 de outubro. Depois, o acordo terá de ser submetido a votação dos sócios em Assembleia Geral.
A candidatura não revela, nesta fase, alguns dos principais elementos económicos da operação. Não é conhecido o montante que a APEX se compromete a investir, a percentagem de capital que pretende adquirir, a avaliação atribuída à futura SAD ou os direitos de governação associados à participação. Também não são detalhadas as condições em que o investimento será realizado ao longo dos próximos anos. A candidatura garante apenas que o Belenenses manterá a maioria do capital e o controlo da sociedade desportiva. Segundo Patrick Morais de Carvalho, ficou estabelecido que “a maioria do capital nunca sairá do controlo do clube”. O presidente promete apresentar os detalhes da parceria antes das eleições e da Assembleia Geral em que a operação será votada.
A APEX é uma plataforma de investimento especializada nos setores do desporto, media e entretenimento, liderada pelo português António Caçorino. A empresa reúne uma rede de mais de 100 atletas investidores, entre os quais os pilotos de Fórmula 1 Lando Norris, Carlos Sainz, Valtteri Bottas e Alex Albon, António Félix da Costa, Alexander Zverev e Anthony Joshua.
A gestora de private equity participou em investimentos na equipa de Fórmula 1 BWT Alpine, na TGL, liga de golfe criada por Tiger Woods e Rory McIlroy, no Venezia FC e na plataforma tecnológica ScorePlay. Segundo inforamações a que o ECO teve acesso, a APEX pretende trazer para o Belenenses capacidade financeira e competências nas áreas de desenvolvimento de negócio, aumento de receitas, valorização de ativos e gestão. “O nosso plano passa por criar as condições estruturais e financeiras para modernizar a gestão, aumentar receitas, valorizar ativos e ajudar a assegurar as duas subidas de divisão que faltam no mais curto espaço de tempo possível”, afirma António Caçorino, numa declaração escrita enviada ao ECO. O Belenenses, recorde-se, compete atualmente na Liga 3.
A entrada da APEX deverá ser feita de forma faseada ao longo de vários anos, segundo a candidatura. Também neste ponto não é indicado o calendário dos investimentos, os montantes previstos para cada fase ou se existem compromissos mínimos de financiamento associados aos objetivos desportivos.
Patrick Morais de Carvalho enquadra a operação no processo iniciado em 2018, quando o clube se separou da SAD que então geria o futebol profissional e recomeçou nos escalões inferiores. Desde então, o Belenenses recuperou sucessivamente até à Liga 3.






