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Maria Lima: “Se os outros fazem, por que é que eu não hei de conseguir fazer?”

Estudou arquitetura, mas sonhava trabalhar em moda. Ainda o fez, mas foi na produção de kombucha que Maria Lima encontrou o seu caminho profissional, que a levou a criar a marca Aquela Kombucha.

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Maria Lima, arquiteta, fundadora da Aquela Kombucha, é a 92ª convidada do podcast “E Se Corre Bem?”. Natural do Norte, estudou arquitetura na Universidade do Minho, mas ainda durante o curso percebeu que não se imaginava a trabalhar no ramo. A moda, por sua vez, já a cativava mais e era a isso que se queria dedicar. Contudo, depois de uma viagem a Bali, onde provou kombucha pela primeira vez, ficou sempre o desejo de conseguir replicar aquela bebida cá. Anos depois, nasce a Aquela Kombucha que, sem querer, passou a ser a sua maior fonte de rendimento e, atualmente, é o seu negócio.

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“Terminei o mestrado cá e fui para Londres fazer outro mestrado em direção criativa em moda. E foi a área onde trabalhei durante cerca de seis anos. Trabalhei em revistas de moda, com designers de moda, em showrooms… Fiz um bocadinho de tudo. Mas depois aconteceu o Brexit e eu larguei tudo em Londres e voltei para o Porto sem um plano. E a verdade é que eu nunca imaginei deixar a área da moda porque foi a área pela qual me apaixonei e que sempre adorei“, começou por dizer.

Quando chegou ao Porto, pensou que era o momento perfeito para fazer uma viagem e assim o fez: “Eu tinha uma amiga em Bali e fui lá um mês. Um dia, ela recomendou-me ir a um sítio, em Ubud, e disse-me para pedir kombucha. Isto foi em 2017. Eu tive de pedir para ela escrever o nome, não conhecia. Mas como sou muito curiosa e gosto de provar tudo, quis experimentar. Quando eu provei aquilo, fiquei mesmo fascinada. Eu achei aquilo incrível e passei o resto da viagem a beber quando tinha oportunidade“.

Ainda sem saber, Maria Lima tinha acabado de se encontrar com uma bebida que, mais tarde, iria mudar toda a sua vida. Mas, até chegar a esse momento, a arquiteta regressou a Portugal e, vendo-se ainda sem trabalho, decidiu fazer um estágio na Ordem dos Arquitetos, uma vez que tinha acabado o curso, mas nunca o tinha feito antes. “Voltei para o Porto, fiz um ano de arquitetura mais convencional, mas fiquei sempre intrigada com a kombucha”, confessou.

Um dia, num jantar de amigos, decidiu levar uma kombucha que encontrou num supermercado, convencida de que lhes daria a conhecer a famosa bebida divinal que tinha experimentado em Bali, mas o desfecho foi completamente diferente do que estava à espera: “Eu a dizer-lhes que eles iam adorar, mas provamos e eles disseram que não gostavam nada. E eu percebi que realmente não tinha nada a ver com o que eu tinha bebido. Fiquei ainda mais intrigada”.

“Não estava a compreender porque também não sabia bem o que aquilo era. Então comecei a pesquisar na internet. Na altura, não havia tanta informação como há hoje, mas eu pesquisei todos os vídeos do youtube, comprei os poucos livros que havia e aventurei-me nesta missão de fermentar kombucha em casa porque eu queria uma kombucha natural e saborosa como a que eu tinha bebido. Comecei com um frasquinho de um litro, depois fui para um de cinco, depois arranjei uns de inox de 20 litros…”, continuou.

Desde que começou a fermentar até perceber que aquilo poderia realmente transformar-se em algo mais sério passou cerca de um ano. “Consegui chegar a um produto que estava bom e que me fazia lembrar aquele que eu tinha experimentado na viagem. Partilhei com amigos e família. E no yoga, como as pessoas já estavam mais sensibilizadas, começaram a encomendar-me. Chegou a um ponto em que comecei a receber chamadas de pessoas a perguntar: “És a Maria Kombucha? Posso-te comprar kombucha?”. Era um grande passa a palavra e eu não tinha nada nas redes sociais, nem sequer tinha uma marca, era completamente informal”, disse.

Este passa a palavra foi aumentando ao ponto de Maria Lima começar a ser contactada por restaurantes, que queriam a sua kombucha nos seus estabelecimentos: “Só que, para restaurantes, eu precisava de ter outro tipo de rigor e de estrutura que eu não tinha. E eu lembro-me de ter pensado aí que podia montar uma marca de kombucha, mas achar que era uma estupidez e que não era possível“.

Contudo, num encontro com amigos, acabou por surgir um nome – Aquela Kombucha -, sugestão de uma amiga enquanto falavam de possíveis nomes, caso, um dia, fosse para avançar com uma marca. Mas a verdade é que, depois de ter um nome, pensou “deixa ver se consigo registar a marca” e conseguiu. E, de seguida, o pensamento voltou-se para arranjar um lugar para produzir kombucha. “Fui para o Bonfim, encontrei um espaço, que era uma antiga gráfica e tinha uma boa renda, e então depois pensei como é que ia montar uma produção”, contou.

Acabou por montar uma fábrica no Bonfim, com a ajuda de um cervejeiro que contratou posteriormente, mas no momento em que já tinha algum stock para finalmente lançar a loja, veio a pandemia: “Não senti medo porque não tinha funcionários. Mas eu sou proativa, então como já tinha um site, pensei que podia fazer uma loja online para lançar aquela kombucha. Acabei por lançar em maio, através da loja online, e comecei logo a ter vendas“.

Hoje em dia, a Aquela Kombucha tem também uma fábrica na Maia e conta já com 12 funcionários. No ano passado faturaram meio milhão de euros e Maria Lima garante: “Eu estou a construir algo que funciona sem mim no dia a dia”. “Se alguma vez eu me imaginei a trabalhar numa fábrica? Claro que não. E podia ter dito que não queria porque é desconfortável, mas acho que o drive de criar este projeto e de sentir que estava a fazer algo com valor acrescentado era exciting e isso fez-me desenrascar e fazer acontecer. Se os outros fazem, por que é que eu não hei de conseguir fazer?“, concluiu.

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Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.

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