A atividade empresarial na Zona Euro registou em agosto o seu ritmo de crescimento mais rápido deste ano, impulsionada por um aumento das novas encomendas — especialmente no setor da indústria transformadora — e pelo regresso ao crescimento das exportações, ao mesmo tempo que houve uma diminuição das pressões sobre os preços. Isto sugere que, apesar do conflito no Médio Oriente, a economia da área da moeda única se manteve resiliente no atual trimestre, após ter registado uma expansão de 0,4% entre abril e junho.
Os dados preliminares do Purchasing Managers’ Index (PMI) — o Índice Composto de Gestores de Compras da Zona Euro do Hamburg Commercial Bank (HCOB), compilado pela S&P Global — subiu para 52,1 este mês, face aos 52,0 registados em julho, o valor mais elevado desde novembro e acima da previsão de 51,7 da sondagem da Reuters.
As novas encomendas, indicador-chave da procura, registaram o seu ritmo de crescimento mais rápido em 40 meses, enquanto as encomendas para exportação, incluindo o comércio intra-Zona Euro, aumentaram pela primeira vez desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
“O setor industrial é, mais uma vez, o grande destaque (…), com a economia dos serviços a desempenhar um papel de apoio, registando mais um mês de crescimento razoável após o abrandamento observado no segundo trimestre”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.
Há ainda relatos de que “a constituição de reservas preventivas está a ajudar a sustentar o setor de produção de bens, num contexto de perturbações contínuas na cadeia de abastecimento com origem no Médio Oriente”, assinalou também Williamson.
Por outro lado, acrescentou, há igualmente “sinais encorajadores de um aumento da procura de produtos tecnológicos relacionados com a inteligência artificial e de um aumento da procura de equipamento, graças ao aumento das despesas com o setor da Defesa, o que está a ajudar, nomeadamente, a Alemanha a alcançar ganhos de produção cada vez mais impressionantes”.
Ler maisTensão nos mercados de dívida deixa Orçamento sob pressãoO PMI industrial subiu 1,7%, de 51,9 em julho para 52,8 em agosto, atingindo o nível mais elevado em mais de quatro anos e superando a estimativa das sondagens de 51,8. O crescimento da produção atingiu o seu nível mais elevado em 54 meses.
Já a atividade no setor dos serviços manteve-se estável após a recuperação registada em julho, com o PMI inalterado em 51,7, contrariando as previsões de abrandamento.
O emprego global aumentou pela primeira vez este ano, à medida que as empresas industriais retomaram as contratações após mais de três anos, enquanto o emprego no setor dos serviços cresceu ao ritmo mais rápido dos últimos oito meses.
Quanto às pressões sobre os preços, embora ainda elevadas, continuaram a abrandar, perante o crescimento dos custos dos fatores de produção, que registaram o ritmo mais lento dos últimos seis meses. Mesmo a inflação dos preços de produção abrandou em agosto, para o nível mais baixo dos últimos cinco meses.
“No entanto, com o PMI preliminar a apontar para um crescimento sólido do PIB no terceiro trimestre, o regresso das empresas à contratação pela primeira vez este ano e a inflação a permanecer elevada em termos históricos, é provável que se mantenha uma postura restritiva e não se podem excluir novos aumentos iminentes das taxas de juro”, apontou ainda o economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.
Bert Colijn, economista-chefe do neerlandês ING, destaca numa análise divulgada esta sexta-feira que, “com os preços do petróleo novamente acima dos 90 dólares por barril e as taxas de juro a registarem subidas nas últimas semanas, os fatores que estão a abrandar o crescimento e a impulsionar a inflação nos próximos meses são evidentes”.
Não obstante, “a economia da Zona Euro tem-se mostrado bastante resiliente até agora, e a dinâmica mantém-se surpreendentemente sólida”, afirma, antecipando que “o terceiro trimestre parece destinado a registar novamente um crescimento razoável do PIB, ignorando completamente os acontecimentos atuais“.






