A aposta nos certificados do Estado superou pela primeira vez os 50 mil milhões de euros em julho, refletindo a popularidade dos Certificados de Aforro. Já a nova série dos Certificados do Tesouro conseguiu praticamente estancar as saídas que se verificam há quase cinco anos.
Isto significa que as famílias nunca confiaram tantas poupanças ao Estado, numa altura em que a subida da Euribor torna mais atrativo investir nos Certificados de Aforro, enquanto o concorrente mais direto, os depósitos bancários, mantêm-se com uma taxa de juro muito baixa.
Em julho, os Certificados de Aforro captaram 767,7 milhões de euros em termos líquidos de resgates. Foi o montante mais elevado em mais de três anos.
Os portugueses continuam especialmente atraídos pela taxa de juro destes certificados, que em julho avançou para 2,356%, impulsionada pelo aumento da Euribor a três meses, e que resulta do impacto da guerra no Irão nos preços da energia e nos preços em geral e da necessidade de o Banco Central Europeu (BCE) subir os juros diretores – já subiu em junho e vai voltar a subir no início de setembro.
Por outro lado, o Governo também anunciou em abril um aumento dos limites de subscrição destes títulos de 100 mil euros para 250 mil para a Série F (atualmente disponível para subscrição) e dos 350 mil para 500 mil em acumulado de Série E (anterior) e F. Fator que também estará incentivar a procura.
No final de julho, estavam aplicados 43,85 mil milhões de euros nos Certificados de Aforro, o valor mais alto de sempre.
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Novos Certificados do Tesouro quase estancam saídas
Em relação aos Certificados do Tesouro, o Governo lançou uma nova série no início de julho com condições mais favoráveis e, embora ainda tenha registado mais resgates e vencimentos do que novas aplicações, verificando-se um fluxo negativo de 27,77 milhões, praticamente se estagnaram as saídas – até então saíam cerca de 200 milhões por mês, em média, este ano.
Em todo o caso, manteve a tendência de saída de dinheiro destes certificados pelo 57.º mês consecutivo. Em julho já só estavam aqui aplicados 6,53 mil milhões de euros – chegou a ter perto de 18 mil milhões em 2021.
Foi para contrariar esta tendência que o Ministério das Finanças reformulou o produto, substituindo os Certificados do Tesouro Poupança Valor, a 7 anos e com a remuneração associada ao PIB a partir do segundo ano, pela novíssima Série 5, com o prazo de 10 anos e uma taxa média bruta de 2,71% (1,8% em termos líquidos).
Famílias reforçam peso no financiamento do Estado
Tudo somado, entre Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro, os portugueses tinham 50,38 mil milhões de euros em poupanças junto do Estado, reforçando o seu estatuto de grande credor da República.
Segundo o IGCP, em junho, o retalho representava 15% do total da dívida direta do Estado – há 10 anos as famílias tinham um peso de apenas 10% no financiamento da República.






