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Opinião

A “geração sanduíche” e os novos desafios organizacionais

No final, apoiar quem cuida dos outros é também uma forma inteligente de cuidar do futuro das empresas.

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A meio da reunião, o telemóvel vibra. É a escola. Ou a clínica. Ou o lar. Para um número crescente de profissionais, este é o ritmo real do dia de trabalho: gerir filhos em crescimento e pais que precisam de apoio – em simultâneo, sem pausa. São a chamada “geração sanduíche”. E estão cada vez mais presentes nas empresas.

Portugal tem uma das populações mais envelhecidas da Europa. Cerca de 25% dos residentes têm mais de 65 anos. Os cuidados informais continuam a ser assegurados, maioritariamente, por familiares em idade ativa. O resultado é previsível: um número crescente de profissionais a gerir responsabilidades de cuidado em duas frentes, muitas vezes em silêncio e, quase sempre, sem suporte estruturado.

Esta realidade atravessa gerações, funções e setores de atividade, colocando novos desafios à gestão de pessoas.

Durante anos, as políticas de pessoas centraram-se, sobretudo, promoção do work life balance, onde cabia o equilíbrio entre vida profissional e parentalidade. Uma conquista importante, mas que já não é suficiente. Hoje, o desafio é outro: coordenar a ida ao pediatra com a reunião das 9h, gerir a medicação de um familiar enquanto se fecha um relatório, estar presente em dois lugares ao mesmo tempo e sentir, ainda assim, que não se está em nenhum.

Esta acumulação de responsabilidades tem um custo real. A pressão emocional, logística e financeira associada a esta fase da vida traduz-se em maiores níveis de stress e desgaste, com impacto na concentração, na produtividade e, em alguns casos, na permanência dos colaboradores nas organizações. Para as empresas, este deixou de ser apenas um tema social: é um desafio concreto de gestão de talento.

Porém, noutra perspetiva, é também uma oportunidade. Hoje, os colaboradores valorizam empregadores que compreendem os seus desafios, reconhecem a diversidade das suas necessidades e oferecem soluções que contribuam para uma melhor qualidade de vida.

Essa resposta pode traduzir-se em modelos de trabalho mais flexíveis, benefícios ajustados às diferentes fases da vida, que apoiem a educação dos filhos, mas também familiares dependentes, passando pela proteção da saúde ou pela preparação do futuro financeiro, incluindo a capacidade de criar poupança de médio e longo prazo. A isto somam-se as iniciativas de promoção do bem-estar físico e mental, que tanto se têm vindo a promover (e bem!). Mais do que um conjunto de soluções isoladas, trata-se de reconhecer que as necessidades das pessoas evoluem ao longo da vida e que as respostas devem acompanhar essa mudança.

O desafio demográfico que enfrentamos é uma tendência que continuará a moldar o mercado de trabalho nas próximas décadas. As empresas que souberem antecipar esta realidade estarão mais bem posicionadas para atrair e reter talento, reforçar o compromisso das suas equipas e construir culturas organizacionais mais resilientes, inclusivas e sustentáveis.

No final, apoiar quem cuida dos outros é também uma forma inteligente de cuidar do futuro das empresas.

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