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Berlim prepara reforço dos serviços secretos para combater ameaças externas

A Alemanha aprovou uma reforma que permitirá aos serviços secretos realizar sabotagem e operações cibernéticas ofensivas. Berlim justifica a mudança com a crescente ameaça híbrida atribuída à Rússia.

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O Governo alemão aprovou uma reforma histórica dos serviços de inteligência externos que vai permitir à agência alemã BND (Bundesnachrichtendienst, em alemão) realizar operações de sabotagem, ações cibernéticas ofensivas e missões de espionagem mais agressivas, abandonando as restrições que vigoravam desde o pós Segunda Guerra Mundial. O orçamento da agência foi igualmente reforçado em cerca de 26%, para 1,51 mil milhões de euros.

O Executivo de Friedrich Merz considera que o agravamento da ameaça híbrida russa e a crescente incerteza quanto à partilha de informação por parte dos Estados Unidos obrigam Berlim a dotar os seus serviços secretos de capacidades muito mais ofensivas.

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“Somos alvos diários de espionagem, sabotagem, ciberataques e ações secretas de potências estrangeiras com o objetivo de desestabilizar a Alemanha, prejudicar o nosso país e provocar mudanças políticas e sociais no nosso território. A nossa missão é adaptar continuamente o mandato de proteção do Estado a esses novos cenários de ameaça”, afirmou aos jornalistas o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, após a reunião do gabinete em Berlim, citado pelo Politico.

Na semana passada, um drone com explosivos foi encontrado junto a uma das pistas de um aeroporto na Alemanha, o que levou as autoridades a abrir uma investigação sobre o eventual envolvimento de um Estado no incidente.

A reforma representa uma mudança profunda na filosofia dos serviços de inteligência alemães. Desde a criação do BND, em 1956, os agentes estavam essencialmente limitados à recolha de informação, uma consequência direta das restrições impostas após a Segunda Guerra Mundial para impedir abusos semelhantes aos cometidos pelos serviços de espionagem do regime alemão da altura.

“Até agora — e isto deve ser dito de forma objetiva — temos dependido excessivamente dos nossos parceiros, em demasiadas áreas relacionadas com a segurança, para ajudar a garantir a nossa própria segurança. Em suma, somos simplesmente demasiado dependentes do apoio dos serviços de informações de outros países. E, em demasiadas áreas, esta assistência é um sentido único”, vincou Nina Warken, a chefe da chancelaria que supervisiona as reformas do BND, citada pelo mesmo jornal.

As novas competências permitem aos agentes alemães responder diretamente a operações hostis, incluindo ações de sabotagem, destruição de equipamentos utilizados por adversários, neutralização de explosivos antes de ataques ou até operações de desinformação destinadas a induzir em erro serviços secretos estrangeiros.

A agência também deverá receber mais verbas nos próximos anos. O Governo alemão reforçou igualmente o financiamento da agência, cujo orçamento aumentou este ano cerca de 26%, para 1,51 mil milhões de euros.

Caso as reformas sejam aprovadas pelas duas câmaras do parlamento da Alemanha, a legislação entrará em vigor em 2027.

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