A Intel prepara-se para angariar cerca de 20 mil milhões de dólares (17,33 mil milhões de euros) através da venda de novas ações. A fabricante de processadores anunciou esta terça-feira que conseguiu mais capital fresco do que previa na véspera, quando lançou a operação a apontar para os 15 mil milhões de dólares. Um sinal de que continua a haver um forte apetite dos investidores por ações ligadas à cadeia de abastecimento da infraestrutura que suporta a inteligência artificial (IA).
Conforme revelou esta terça-feira, a Intel — que tem a Administração dos EUA como maior acionista, detendo 8,59% do capital antes da operação — fixou o preço desta oferta em 95 dólares cada título, o que representa um desconto de 6,5% em relação à cotação de fecho de sexta-feira, antes do anúncio da transação. As ações da empresa norte-americana viriam a cair mais de 4% na segunda-feira, no rescaldo do anúncio, aproximando-se do valor agora fixado e fechando nos 97,52 dólares.
Nesta oferta, que deverá ser concluída na quarta-feira, a Intel dá ainda a opção aos investidores participantes de adquirirem um volume adicional de quase 31,58 milhões de ações pelo mesmo preço de 95 dólares. Todo este capital será usado para investimentos de capital ou para suportar despesas operacionais.
Assim, esta operação representa um esforço para financiar a dispendiosa expansão do negócio de fabrico de chips da Intel, tirando partido de uma subida acentuada da sua capitalização bolsista impulsionada pela profunda reestruturação em que tem estado envolvida — principalmente desde a entrada da Administração Trump no seu capital. Desde o início do ano, a Intel já valorizou 147,6%, acima dos 110,12% da AMD e dos 15,2% da Nvidia.
Outrora a força dominante na indústria global de chips, a Intel está a investir fortemente em novas instalações e capacidades avançadas, na esperança de desafiar os novos líderes do setor, como a taiwanesa TSMC. Vários analistas afirmaram que a subida acentuada do preço das ações da Intel aumentou as hipóteses de uma angariação de capital para ajudar a financiar os seus planos de expansão.
“Sendo um negócio intensivo em capital que contribuiu em grande medida para arruinar o seu próprio balanço e as perspetivas ao concentrar-se na engenharia financeira em vez da engenharia física — graças a 82 mil milhões de dólares em recompras de ações na década de 2010 —, faz todo o sentido que a Intel angarie fundos, especialmente após um aumento de cinco vezes no preço das ações desde agosto passado“, considerou Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, citado pela Reuters.






