O setor da revenda de combustíveis, conhecido por ter marcas com histórico e renome, conquistou o empreendedorismo e ganhou mais um operador. Ricardo Coimbra, ex-administrador da Prio, fundou em Portugal uma nova rede de postos de abastecimento, chamada precisamente Nova. Em menos de 10 meses, a empresa abriu 15 bombas e tem um plano de expansão que envolve atingir as 50 nos próximos três anos.
Em entrevista ao ECO, Ricardo Coimbra revela que os postos de abastecimento da rede Nova vão dispersar-se pelo mapa, de norte a sul, prevendo-se a inauguração de três na região do Algarve, quatro ou cinco no distrito de Viseu (Tondela e Oliveira de Frades) e outros no Centro interior e litoral.
Os espaços serão, essencialmente, reconversões, mas terão também construção própria. “Diria que há entre sete a 10 posições identificadas que vão ser construídas de raiz e que nos permitem chegar aos pontos que consideramos estratégicos: na região do Algarve, duas na zona da Grande Lisboa e três no Norte (uma das quais no Grande Porto)”, adianta Ricardo Coimbra.
Ler maisEstado devolveu em ISP quase tudo o que ganhou em IVA com subida dos combustíveis desde a guerra no IrãoQuestionado sobre o valor do investimento nestas aberturas, o diretor executivo da Nova disse que era “difícil antecipar” devido à volatilidade dos preços da matéria-prima, que têm vindo a ser influenciados pelos movimentos geopolíticos e estado a impactar os custos operacionais das empresas. “É difícil os custos descerem. Este mercado depende dos futuros, é uma commodity que se regula semanalmente, portanto é ingrato estar a dizer-lhe o investimento”, referiu.
Ricardo Coimbra adiantou apenas que o investimento global de construir um posto de combustível, se não se considerar o terreno que depende muito da zona, situa-se entre os 700 mil euros e cerca de um milhão de euros. Quanto às obras de reconversão, se só envolver mudança de elementos de imagem, situa-se entre os 30 mil euros e os 50 mil euros e com os equipamentos (as bombas e o sistema informático) pode chegar aos 100-120 mil euros.
Depois de se instalar nos concelhos de Lisboa, Cascais, Torres Vedras, Pombal, Aveiro, Ourém, Vila Nova de Famalicão ou Paredes, a Nova vai também alargar a operação para a região algarvia, mantendo um perfil de instalação de bombas em zonas mais rurais.

Ricardo Coimbra conhece o mercado petrolífero desde 2006, quando entrou para a Prio e acabou por ficar responsável pela aquisição de terrenos para construir os primeiros postos de combustíveis da empresa, entretanto comprada pelo grupo espanhol Disa.
Na conversa com o ECO, recorda os tempos em que se destacou como um dos funcionários mais antigos da casa, foi promovido para a administração e acabou por criar uma startup concorrente. “Sempre olhei para Prio quase como um filho e achei que, atingindo a maioridade, já conseguia caminhar sozinho. Achei que era tempo de mudar de ares e fazer outras coisas. À data, a minha tomada de decisão de saída nada teve que ver com este projeto da Nova”, ressalva.
“Iria dedicar-me à gestão de projetos familiares, porque, dentro do nosso pequeno grupo de empresas, temos produção de vinhos, consultoria, atividade imobiliária em Portugal e além de fronteiras, nomeadamente na ilha do Sal, em Cabo Verde. Já teria muito com que me entreter”, contou.
No entanto, o rumo alterou-se quando, à medida que se ia despedindo dos fornecedores, clientes e parceiros de negócio, as conversas “começaram a ter outra profundidade” e “cerca meia dúzia” desafiou-o a manter-se na indústria. Ricardo Coimbra prometeu-lhes um acompanhamento próximo, numa lógica de assessoria, até porque ir para a concorrência direta estava fora de questão e não tinha sido esse o motivo que o fez sair da Prio. “E se criasses algo teu, ao teu estilo, invocando a portugalidade e com um crescimento mais orgânico?”, instigaram-no os revendedores de combustíveis. Foi o seu ímpeto para começar a desenhar o projeto Nova.
A relação à Portugalidade, para nós, é condição imperativa. Afirmamo-nos como uma empresa humilde, mas com capital 100% português. Valemo-nos da nossa esfera familiar.“é com base nisso que estamos a crescer.
A sociedade que deu vida à Nova foi aberta em agosto de 2025 e lançou-se no mercado a 15 de setembro do ano passado, inserindo-se numa SGPS (Rprite) detida a 100% pela família de Ricardo Coimbra e pela sócia, Maria José Pereira, diretora de Operações da Nova.






