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Comporta 2.0: O luxo de viver onde o tempo abranda (e o futuro se constrói com sustentabilidade)

Da fuga de verão ao endereço permanente: a área Residencial da JLL reuniu agentes locais para antecipar o futuro de um dos eixos mais cobiçados da Europa.

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A Comporta está a mudar de pele. O que começou por ser um segredo bem guardado e um destino sazonal está hoje a transformar-se num ecossistema vivo de residência permanente. Mas como é que se acelera esta transição sem destruir a autenticidade alentejana?

Foi precisamente para responder a esta urgência que o Private Office Residential da JLL promoveu mais uma edição do “Breakfast with JLL”, na sua loja do Carvalhal. Numa conversa sem rodeios, decisores, promotores e investidores sentaram-se à mesma mesa para desenhar o roteiro dos próximos dez anos.

 

A Comporta está a consolidar-se como destino de residência anual, não apenas sazonal. Este é um salto importante que acreditamos vai acontecer cada vez mais

Tiago Brito e Cunha, Partner da JLL no Carvalhal

Para Telmo Azevedo, Co-Head of Residential da JLL, o facto de existir uma Associação como a Atlântica, que foi criada para promover o desenvolvimento da região, reunindo os principais stakeholders, é revelador de uma preocupação em ter uma única voz para defender o futuro e a sustentabilidade da Comporta.

O “Efeito Comporta”: Uma marca global a alavancar o Alentejo

Hoje, a “marca Comporta” já não se esgota nos limites do concelho: expandiu-se naturalmente ao longo do eixo territorial até Melides, transformando-se num ativo imobiliário de prestígio internacional. E o impacto extravasa o imobiliário de luxo.

Como sublinhou Marta Costa, Diretora-Geral da Associação Atlântica, este reconhecimento global está a fazer história: pela primeira vez, o Alentejo ganha palco nos principais indicadores de tração económica do país.

No entanto, para fixar famílias de forma permanente, a beleza natural e o bom tempo não bastam. São necessárias infraestruturas de vida real.

Educação como fator transformador

Um dos temas centrais da conversa foi a educação internacional, identificada como “game changer” para quebrar a sazonalidade. Jimena e Manuela Salvatierra, investidoras que se mudaram para a Comporta há um ano, estão a desenvolver um projeto educativo inovador que integra uma escola internacional.

“Começámos com o programa educativo há 4 anos como primeiro pilar do projeto, porque era uma necessidade importante para podermos mudar para Portugal”, explicou Jimena. O projeto, atualmente em Vila Nova de Mil Fontes, mudará para a Comporta em setembro, com planos de crescer para uma capacidade de 40 alunos entre os 3 e os 12 anos.

Paralelamente, Nuno Carvalho, empresário local de construção e mediação imobiliária, revelou estar associado a um outro projeto de escola internacional em Melides, também focado em crianças até aos 12 anos, demonstrando a complementaridade da oferta educativa na região.

Autenticidade como valor inegociável

António Beirão da Veiga, fundador e CEO da Authentic Living, sublinhou a importância de preservar a essência arquitetónica da região: “Todos os nossos projetos têm como objetivo trazer aquilo que chamamos autenticidade – arquitetura tradicional com materiais autóctones, fundamental para a sustentabilidade e para a pegada de carbono”.

Nuno Carvalho foi mais contundente: “Há projetos com os quais concordo, há outros com os quais discordo. Quando discordo, digo logo. Eu tenho o privilégio de poder dizer que não a projetos que não respeitam a arquitetura tradicional”. Esta postura reflete o compromisso dos agentes locais em defender a identidade única da Comporta face a pressões de desenvolvimento menos alinhadas com o espírito da região.

O desafio crítico: Sem habitação para a comunidade, não há autenticidade

Se a captação de residentes de alto rendimento é um sucesso, o verso da medalha exige respostas céleres. A escassez de habitação para a força de trabalho local e prestadores de serviços (da restauração à saúde e ao ensino) é a principal pedra no sapato da região.

A região só vai ser desenvolvida se as pessoas forem integradas. Se temos uma escola e a professora tem de vir de Setúbal, isso não é sustentável

Manuela Salvatierra, Investidora

António Beirão da Veiga reforçou: “Fixar a população é fundamental, pois no dia em que as gentes da Terra se forem, acaba-se a autenticidade da Comporta. Temos de garantir que essas pessoas se mantêm e isso depende de todos nós priorizarmos serviços locais”.

Como resposta, o projeto Arola propõe a construção de uma aldeia em Alcácer do Sal com habitação acessível. “Queremos construir habitação não só para quem vem trabalhar, mas também para famílias jovens que não conseguem comprar ou arrendar casa em Lisboa”, explicou Emily, representante do projeto.

Construção sustentável e regulamentação

O tema da construção sustentável ganhou destaque, com a proposta de métodos construtivos modulares mais ecológicos. “O método construtivo tem de evoluir. Constrói-se da mesma forma há 70 ou 80 anos. A construção modular e fabril desmantelará os estaleiros pesados e será muito mais sustentável”, defendeu Maria Empis, Co-Head of Residential da JLL.

Os participantes concordaram na necessidade de regulamentação específica para aldeias e centros urbanos. “Nas aldeias deve haver uma linha orientadora muito específica, como acontece em qualquer cidade com zona histórica. É preciso criar regulamentos para que haja integração e harmonia”, afirmou Nuno Carvalho.

António Beirão da Veiga complementou: “Temos de ser todos nós, como comunidade, fiscalizadores do que se passa”.

Uma visão a 10 anos: Crescer devagar para crescer bem

O diagnóstico final do encontro promovido pela JLL deixa uma nota de otimismo pragmático. A Comporta não quer (nem deve) ser um destino de crescimento rápido e desenfreado.

Reunidos sob o lema “Unidos pelo território” através da Associação Atlântica — focada em eixos vitais como educação, segurança e ambiente —, os agentes públicos e privados parecem alinhados no mesmo propósito: criar um modelo exemplar de desenvolvimento territorial onde a sofisticação habita em perfeita harmonia com a terra.

Como concluiu António Beirão da Veiga, “Os destinos turísticos sustentáveis demoram tempo, e ainda bem que demoram.” O futuro da Comporta está a ser edificado hoje — com peso, medida e visão de longo prazo.

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