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Deixem o Luís fintar. 47 minutos de Luís Montenegro no discurso no Pontal

Ao contrário do ano passado, Luís Montenegro não levou novidades ao Pontal, mas tinha várias jogadas de ataque na tática para 47 minutos de discurso. Veja-as aqui.

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Às viagens ao Mundial de Futebol no outro lado do Atlântico, Luís Montenegro juntou um jogo de futebol entre destacados militantes do partido nesta quinta-feira, antes do esperado discurso na Festa do Pontal, no Algarve. “Nós somos do povo, nós gostamos de futebol”, afirmou Hugo Soares aquando do Mundial.

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Nesta sexta-feira, um dia depois do jogo de futebol partidário para o qual as televisões foram chamadas, Luís Montenegro conseguiu fintar durante mais de três quartos de hora os elefantes do campo político.

Leia aqui as principais jogadas.

Defesa

A abrir o discurso, salientou os que aproveitam “os fins de semana e mesmo os finais de tarde para ir à praia como qualquer cidadão. Que aproveitam a oportunidade de desfrutar da companhia dos seus amigos, das suas famílias, para retemperar forças para as tarefas que têm pela frente”. No dia 6, quinta-feira, tinha sido fotografado na praia do Garrão com o amigo e companheiro de liderança Hugo Soares, isto, depois de ter anunciado que não faria férias este Verão.

Pontapé de canto

O ministro da Administração Interna e ex-líder da Polícia Judiciária, Luís Neves, não esteve no jogo de futebol de quinta-feira porque não é militante, explicou o presidente do PSD no relvado. No Pontal, poderá ter falado, sem o referir, da polémica em torno do homem que foi buscar este ano à Polícia Judiciária.

“Queriam que falássemos todos os dias e falássemos todos os dias daquilo que não interessa à vida das pessoas. […] O país tem de ter a coragem de falar mais das grandes coisas que estamos a fazer bem, e falar menos das pequenas coisas que porventura não corram tão bem”, afirmou. Chutando mais uma vez o assunto para canto, disse que “não podemos viver uma espécie de censura moderna em que as pessoas só sabem, só conhecem e só debatem os assuntos mais polémicos, os assuntos muitas vezes de pequenos incidentes, os assuntos de pequenos episódios, e deixar aquilo que é mais importante muitas vezes escondido em notas de rodapé, ou mesmo omitido dos grandes espaços de veicular a informação e comentar a informação”.

Ao longo de 48 minutos, foram os pontos que poderão, de forma meramente interpretativa, ser referentes ao a um ministro sob os holofotes e que já levou a colega da Justiça a ordenar uma auditoria à Polícia Judiciária, ao que se soma uma situação que ainda levanta muitas questões e já envolve também o diretor financeiro da PJ (após uma investigação do jornal Sol e da CNN a obras na casa deste, na Charneca da Caparica), tendo levado a polícia a abrir dois processos disciplinares a funcionários.

Pirotecnia e fumos

Ao mesmo tempo que Montenegro falava em Quarteira, a Unidade Local de Saúde do Algarve apresentava os maiores tempos de espera do país. Um doente urgente esperava mais de 11 horas para ser atendido em Faro. A situação neste agosto na Saúde é melhor do que em 2025 e 2024 e “significativamente melhor do que estivemos em 2023”, afirmara a ministra da pasta na mesma sexta-feira, mas não no Pontal.

Longe dali, Ana Paula Martins dirigiu-se aos cidadãos pelo microfone dos jornalistas a “pedir-lhes que nos possam deixar continuar a fazer o trabalho que estamos a fazer”. Sobre a greve anunciada para setembro no INEM, aludiu, igualmente longe do Pontal, a “outros interesses que não percebo muito bem, mas que se calhar é melhor nem perceber”.

De Saúde, Montenegro, falou do Hospital Central do Algarve, obra com concurso lançado este ano e que foi anunciada neste mesmo palco há um ano.

Replay

Depois de nova alusão ao hospital prometido há décadas aos algarvios, ainda que sem aportar novidades, Montenegro falou “dos investimentos na área da água”, que “estão a avançar”. Falou da estratégia Água que Une, com barragens de Alportel e Foupana, dirigida pelo algarvio Macário Correia. Sobre o processo da dessalinizadora, que já deveria estar a arrancar perto dali, mas continua a ser travada na Justiça, nenhuma novidade.

Noutra repetição de anúncios da festa do ano passado, o desporto motorizado: “Também quero confirmar-vos, por mais que isso possa irritar alguns, que, sim, no próximo ano, vai haver o Grande Prémio de Fórmula 1 no Algarve. É verdade. E em 2028 também. E até 2029 vai haver a prova do Moto GP”.

Passe de letra

“O PSD é um partido popular, é um partido do povo, é um partido de todos”, disse, e referiu de uma penada um tema forte no discurso do Chega, a imigração, apontando o PSD como “um partido dos que nascem em Portugal, daqueles que não nascem em Portugal, mas vêm por bem trabalhar em Portugal”.

Para quem esperaria que abordasse a importância da mão-de-obra imigrante na economia nacional, como referido, entre outros, por empresários, associações empresariais e autarcas, nada mais disse.

Finta

“As transformações não se medem pelo barulho, As transformações não se medem pela gritaria. As transformações medem-se por resultados”. Com alguma liberdade interpretativa, é a única potencial referência à crise na educação vivida, nas últimas semanas, com a avaliação nos exames.

Golos

Falando de estratégia, segurança, proteção das infraestruturas críticas, baixa do preço da energia e de ativo para o Fundo Soberano anunciado há dois meses, o primeiro-ministro abordou o grande tema do dia: “o Estado português chegou a acordo com um grupo espanhol para adquirir 13,7% da REN. Fazemo-lo não para renacionalizar esta empresa, fazemo-lo para estar lá dentro, para salvaguardar o interesse estratégico de Portugal na sua infraestrutura elétrica. Estamos lá para participar nas decisões de investimento, nas decisões estratégicas”. Em cima disto, “a aplicação vai ter retorno financeiro”.

Já na ferrovia, o passe ferroviário verde de 20 euros permitirá viajar também nos comboios das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, passando assim a cobrir os comboios urbanos, regionais e intercidades em todo o continente. Uma mudança a fazer “em princípio a partir do próximo mês de setembro”, diz Luís Montenegro.

Fora de jogo

Num anúncio em que o líder do PSD se antecipou em cerca de 12 horas ao comunicado assinado pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, Castro Almeida (que assistiu ao discurso do Pontal ao lado da ministra do Ambiente, na mesma mesa que Hugo Soares, a ministra Margarida Balseiro Lopes e Carla Montenegro), e chegado apenas esta manhã às redações, o presidente do PSD e primeiro-ministro referiu a entrega de 28.300 casas ao abrigo dos financiamentos do PRR. “Quando chegámos ao Governo havia o objetivo de 26 mil, só havia dinheiro para 16 mil, e antes do prazo já entregámos 28.300”.

Video-árbitro

A venda da TAP “será uma operação muito mais favorável do que aquilo que se perspetivava há alguns anos, se calhar mesmo há alguns meses atrás”, prometeu o chefe de Governo, nas vestes de líder partidário. Entre promessas deixadas por Montenegro, uma em especial terá de ser reavaliada à luz do que venha a suceder neste processo em que são candidatas a Air France-KLM e a Lufthansa. “Vamos iniciar a recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP”.

“Nós vamos vender 44,9% no âmbito do processo de privatização que tem dois candidatos, há mais 5% disponíveis para os trabalhadores, e vamos seguramente ter uma solução para futuro que dará a Portugal a salvaguarda do seu interesse estratégico, da manutenção do hub em Lisboa, de valorização das rotas que têm interesse estratégico, económico e social para o país, integradas num grande grupo”.

“É com uma parceria com um desses operadores que a nossa companhia aérea vai servir o nosso interesse”, prometeu. Declarações a rever.

Flash interview

“Nós já baixámos quatro vezes o IRS. Já devolvemos a quem trabalha 2.000 milhões de impostos que antes de nós cá chegarmos eram cobrados sobre o rendimento do trabalho”;

“Mal tenhamos a garantia de que as finanças públicas o comportam, continuaremos a política de baixa do IRS e de valorização das pensões mais baixas”;

Nós não vamos deixar uma troika a ninguém. Nós vamos legar um país a crescer, um país com emprego, um país com oportunidades”.

A taça

Tal como no jogo de futebol de quinta-feira, Montenegro quis ser o portador da taça. “Nestes 50 anos do Pontal, há uma década que se evidenciou em que o país teve um ciclo de desenvolvimento maior que nas outras décadas. Essa década foi de 1985 a 1995. Eu quero hoje garantir-vos, quando aqui estivermos para festejar os 60 anos do Pontal, vamos olhar para esses 60 anos e ver duas décadas que se destacam pelo desenvolvimento que deram a Portugal”. Além dos 10 anos de Cavaco Silva, falava de 2024-2034.

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Comentários (2)

  • joaquim

    O Montenegro atingiu um estado tal de embriaguez narcisista, que só com banho de lucidez eleitoral é que volta cair na realidade!

  • André Monedo

    Quem ouviu, o discurso, ficou a acreditar: Orçamento, para 2026, está com 8%, de superavit; economia está a subir 6000%, no mínimo dos mínimos; desemprego está em 1%; 80000 alunos acabaram o 12 ano, com médias de 16 para cima; 160000 pessoas passaram a viver, em casas, de 30 a 700 euros, de rendas mensais; AD está com 42%, nas margens inferiores, das sondagens. 

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