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Audi Q5: Um familiar de luxo que não perdeu o rumo

Sem ceder a tentações desnecessárias, este SUV germânico combina espaço generoso, acabamentos de topo e um motor TDI que continua a ser um porto seguro para viagens sem preocupações.

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Abrir a porta do novo Audi Q5 à procura de uma revolução cósmica é meio caminho andado para bater de frente com a realidade porque, simplesmente, a marca germânica preferiu apostar na fórmula pragmática que transformou este SUV no seu maior sucesso de vendas mundial.

Numa era em que a indústria automóvel empurra quase tudo para as tomadas elétricas, renovar o campeão de vendas de Ingolstadt mantendo viva a chama do gasóleo é quase um ato de resistência com muito sentido prático. Afinal, num país onde o gasóleo continua a sustentar frotas empresariais e viagens de fim de semana de norte a sul, ter 204 cavalos debaixo do acelerador num bloco 2 litros TDI com tração quatro soa a música celestial para quem faz contas aos quilómetros.

A história do Q5 confunde-se com a afirmação dos utilitários desportivos compactos de luxo. Quando surgiu em 2008 para desafiar o BMW X3 e mais tarde o Mercedes-Benz GLC e o Volvo XC60, este SUV assumiu de imediato o papel de pilar financeiro da Audi.

Esta nova geração carrega essa responsabilidade histórica às costas, visando responder a quem procura espaço, estatuto e autonomia sem passar o trajeto a planear paragens forçadas em postos de carregamento de autoestrada.

O Q5 TDI quattro não quer ser um gadget com rodas. Prefere uma receita mais convincente assente numa construção sólida, conforto na estrada, 204 cv de potência e uma eficácia que deixa a concorrência a olhar.

No interior, a sensação de solidez salta à vista ao primeiro toque. O rigor da montagem e a escolha criteriosa dos materiais mostram porque é que os quatro anéis continuam no topo do refinamento germânico.

O ambiente a bordo abraça uma vaga digital com um painel curvo para o condutor e a consola central, reforçado por um monitor tátil dedicado em exclusivo a quem viaja no lugar do pendura. Na rotina diária entre casa e trabalho, no meio do trânsito matinal, ter o copiloto entretido a gerir a música ou o mapa dá uma ajuda preciosa, embora a obsessão por comandos táteis e superfícies em preto brilhante exija um pano de microfibras sempre à mão para limpar as inevitáveis dedadas.

Para colocar à prova as aptidões familiares, o pretexto de domingo foi rumar até Almeirim para um merecido almoço de sopa da pedra no histórico Toucinho. Sem surpresa, a bagageira engoliu com facilidade o skate, os patins, as bonecas e toda a parafernália habitual das viagens com três crianças, provando que o sentido prático continua intocado.

Na autoestrada, o Q5 rola com uma suavidade imperial, beneficiando de vidros acústicos que transformam a cabine num refúgio silencioso. A caixa S tronic gere as mudanças de forma impercetível nos modos mais tranquilos, mantendo o consumo em níveis civilizados.

Chegados às curvas ribatejanas, a seleção do modo Dynamic muda por completo o temperamento do carro. O acelerador fica expedito, a direção ganha precisão e o sistema de tração integral cola o carro ao alcatrão, disfarçando a altura da carroçaria com uma agilidade notável. O binário generoso do motor diesel garante ultrapassagens seguras e despachadas, mostrando que este bloco térmico ainda tem muita fibra para oferecer.

Contudo, nem tudo são rosas quando se olha para o extrato bancário. A gama do Q5 arranca perto dos 74 mil euros, mas rapidamente escala para valores de outro patamar à medida que se acrescentam extras. A unidade ensaiada pelo ECO, por exemplo, recheada de “bónus” como o pacote Tech Pro, a linha desportiva S line e o sistema de som Bang & Olufsen, dispara para lá dos 106 mil euros — que inclui mais de 13 mil euros de impostos pagos ao Estado.

No balanço do asfalto, este Audi Q5 TDI quattro não veio reinventar a roda nem fingir que é um gadget sobre quatro rodas. A Audi preferiu responder com a eficácia despachada que os rivais GLC e X3 nem sempre conseguem igualar. É o companheiro de estrada perfeito para quem valoriza a substância em vez da ficção científica e não tem paciência para cabos de eletricidade permitindo ir e voltar a Almeirim, almoçar sem pressas e ainda sobra autonomia no depósito para ir ao resto do país sem olhar para o relógio.

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