O salário médio dos trabalhadores em Portugal abrandou no segundo trimestre do ano. De acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o ordenado médio subiu 5,1% entre abril e junho, menos 0,3 pontos percentuais do que tinha crescido no arranque do ano, e fixou-se em 1.835 euros brutos. Descontando a inflação, o aumento foi de 1,8%.
“Em junho de 2026, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador (posto de trabalho) aumentou 5,1%, passando de 1.746 euros em junho de 2025 para 1.835 euros um ano depois. Esta variação foi inferior à observada três meses antes (5,4%)”, salienta o gabinete de estatísticas, num destaque publicado esta manhã.
Ler maisCustos das empresas com salários sobem 5,4%A remuneração total medida pelo INE inclui não só o salário, mas também, por exemplo, o subsídio de refeição e as horas extraordinárias. O INE divulga, por isso, também os dados relativos à componente base (que diz respeito, como o nome indica, ao vencimento base) e à componente regular (que exclui, nomeadamente, os subsídios de férias e Natal, pelo que tem um comportamento menos sazonal).
No que diz respeito à componente regular, o segundo trimestre foi sinónimo de um aumento de 5,1% face ao registado no período homólogo, passando de 1.366 euros para 1.436 euros. “Este crescimento foi igual ao observado em março de 2026“, observa o INE.
Também a componente base cresceu 5,1% em termos homólogos, passando, neste caso, de 1.278 euros em junho de 2025 para 1.342 euros em junho de 2026. “Esta variação foi superior em 0,2 pontos percentuais à observada em março de 2026“, destaca o gabinete de estatísticas.

Todos estes aumentos são, porém, absolutos, isto é, não têm em conta a inflação. E, segundo o INE, uma parte do crescimento do salário médio foi “absorvida” pela variação dos preços. Assim, em termos reais, a remuneração bruta total mensal média aumentou 1,8%, tal como a componente regular. Já a componente base subiu 1,7%, considerando a inflação.
“Em relação ao trimestre terminado em março de 2026, assistiu-se a uma aceleração dos preços (com as taxas de variação homólogas a passarem de 2,2% para os referidos 3,3%) e a uma desaceleração das remunerações reais (de 3,9% para 1,8% no caso da remuneração total, por exemplo)”, detalha o INE, no destaque publicado esta manhã.
Por outro lado, no que diz respeito às diferenças entre os vários setores, o gabinete de estatísticas indica que, em junho de 2026, a remuneração bruta total média por trabalhador variou entre 1.180 euros na agricultura, floresta e pesca e 3.986 euros na produção e distribuição de eletricidade, gás, vapor e ar condicionado.
Ler maisEmpresas alargam a semana de quatro dias a mais equipasJá em comparação com o segundo trimestre de 2025, foi o setor agrícola a registar o maior aumento do salário total médio (8,8%), seguindo-se as atividades artísticas, desportivas e recreativas (7,2%). Em contraste, o menor acréscimo foi verificado na produção e distribuição de eletricidade, gás, vapor e ar condicionado (0,4%), o que não é de estranhar, na medida em que, sendo a área com o ordenado mais elevado, tem menor margem para subir.
Em termos reais, a maioria os setores viram o salário total médio subir. Cinco das áreas de atividades verificaram, porém, o caminho inverso, dos quais o INE destaca a produção e distribuição de eletricidade, gás, vapor e ar condicionado, onde o ordenado real encolheu 2,7% no segundo trimestre.
Os dados divulgados esta manhã permitem perceber também as diferenças salariais entre o setor público e o setor privado. Assim, enquanto nas Administrações Públicas (AP), a remuneração total média por trabalhador cresceu 3,7% em termos homólogos, para 2.792 euros, no privado (onde se concentram mais de oito em cada dez empregados do país) aumentou 5,5% para 1.654 euros.
Em termos reais, o salário total médio na Função Pública aumentou 0,4% entre abril e junho, enquanto no setor privado a subida foi de 2,2%.
“As diferenças nos níveis remuneratórios médios entre o sector das AP e o setor privado refletem, entre outras, diferenças no tipo de trabalho realizado, na composição etária (com impacto na acumulação de capital humano e de experiência profissional) e nas qualificações dos trabalhadores que os integram”, explica o INE.
“Verifica-se que os trabalhadores do sector das AP têm, em média, níveis de escolaridade mais elevados: 56,9% dos trabalhadores neste setor tinham ensino superior (26,7% no setor privado), 27,7% tinham o ensino secundário (35,9% no setor privado) e 15,3% tinham um nível de escolaridade correspondente, no máximo, ao 3.º ciclo do ensino básico (37,5% no setor privado)”, precisa o gabinete de estatísticas.
(Notícia atualizada às 11h36)






