O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, assegurou esta quarta-feira que Espanha, em colaboração com Marrocos, vai impedir qualquer tentativa de entrada maciça de migrantes em Ceuta, como tem sido sugerido nas redes sociais.
“Não há lugar em Espanha, nem em Ceuta, nem em Melilla nem no resto das cidades espanholas para aqueles que queiram entrar de forma irregular e violando a lei“, afirmou Marlaska, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Ler maisProfissionais de saúde de Ceuta pressionam MinistérioO ministro foi questionado sobre o apelo nas redes sociais para uma repetição, no sábado, 15, da situação vivida em 30 de julho, quando cerca de 72.000 pessoas entraram em 24 horas em Ceuta.
Nesse dia, pelo menos 82 pessoas morreram ao tentar chegar a nado à cidade espanhola situada no norte de África, na fronteira com Marrocos.
As autoridades espanholas disseram que pelo menos 70.000 pessoas regressaram de seguida a Marrocos, permanecendo as restantes, maioritariamente jovens, no pequeno enclave espanhol com apenas cerca de 80.000 habitantes.
Marlaska disse aos jornalistas que o Ministério do Interior estava a trabalhar para prevenir qualquer situação como a de 30 de julho.
Ler maisCerca de 72.000 pessoas entraram em Ceuta ilegalmenteDisse também que Marrocos estava a trabalhar “de forma relevante e importante” e a implementar, como “sempre fez, mas ainda mais”, os meios de proteção da fronteira, tanto em Ceuta como em Melilla.
“Nós estamos preparados para prevenir e para evitar” essa possível entrada, afirmou o titular do Interior, antes de uma reunião sobre medidas relacionadas com o eclipse solar desta quarta-feira.
Marlaska enalteceu o trabalho que Espanha tem desenvolvido com Marrocos, “caracterizado pela lealdade e pela confiança”. “Estamos capacitados e temos os meios e a cooperação para evitar uma situação” como a de 30 de julho, afirmou.
Explicou que estavam a ser monitorizadas todas as redes sociais, com intervenção dos serviços de informações e troca de dados com Marrocos. Trata-se de verificar do ponto de vista operacional “se há ou não mobilização de cidadãos dentro de Marrocos”, disse.
Ler maisShengen "nunca esteve em causa" na crise de CeutaMarlaska advertiu que aqueles que pretendam entrar ilegalmente em Ceuta “não vão ser transferidos para a península”, nem vão poder aceder “a nenhum tipo de proteção”.
Aos migrantes que tentem iludir os controlos recordou que vão colocar em risco a vida, como em 30 de julho. “Fazer esse caminho não é um caminho de futuro, é um caminho trágico e um caminho que no final os vai devolver ao lugar de onde saíram, tristemente”, afirmou.
Disse ainda que Espanha aplica a Lei de Estrangeiros “em parâmetros humanitários”, o que não exclui que se seja “muito rígido na altura de enfrentar qualquer irregularidade e não permitir, evidentemente, nenhuma imigração irregular”.
Sobre os pedidos de proteção internacional de migrantes que permaneceram na cidade autónoma, Marlaska quantificou em mais de 400 os processos já abertos, que serão tramitados em conformidade com a lei.
Ler maisCeuta: Marrocos apela à "cooperação em vez de acusações"Mas assinalou que deu uma ordem “muito clara” às forças de segurança para que detenham imigrantes irregulares que se envolvam em atos criminosos em Ceuta.
As forças policiais devem solicitar autorização judicial para expulsar as pessoas em causa, como permite a Lei de Estrangeiros, disse o ministro do Governo do socialista Pedro Sánchez.
Sobre os menores, disse que todas as autoridades trabalham na aplicação da lei. “Aqueles menores que devam ser retornados serão retornados, e aqueles que o não devam ser por qualquer circunstância ou porque não haja as autorizações, por exemplo da Procuradoria, não o poderão ser”, afirmou.
Marlaska defendeu ainda que a Guarda Civil e a Polícia Nacional atuam com total respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais, face a acusações em Marrocos sobre maus-tratos aos imigrantes que entraram em Ceuta.






