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Troca de exigências ensombra acordo no Médio Oriente e leva preço do Brent para 90 dólares

Pedidos mútuos de reparações reduzem perspectivas de acordo para reabrir Ormuz e impulsionam preços do crude acima dos 2%. Na quinta sessão em alta, o Brent a negoceia perto dos 90 dólares.

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Os preços do petróleo sobem mais de 2% esta terça-feira, atingindo máximos de mais de uma semana e com o do barril de Brent a tocar momentaneamente nos 90 dólares. Uma evolução associada ao esvanecer do otimismo sobre um acordo entre os EUA e o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, depois do presidente Donald Trump ter exigido uma compensação a Teerão.

Os futuros do petróleo Brent avançam 2,5%, para 89,94 dólares por barril, enquanto os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA ganham 2,79 para 84,42 dólares por barril, com ambos os índices de referência a serem negociados nos seus níveis mais elevados desde 31 de julho.

Se o eclipse provoca um escurecimento temporário dos céus, os mercados depararam-se ontem com uma nuvem ainda mais sombria nas perspetivas de inflação, à medida que os preços do petróleo voltam a subir devido à ausência de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, alimentando novas especulações sobre subidas das taxas de juro”, afirmou Jim Reid, head of macro and thematic research no Deutsche Bank. “Continua a não haver sinais de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz e assistimos também a uma escalada na retórica entre os EUA e o Irão”.

Se o eclipse provoca um escurecimento temporário dos céus, os mercados depararam-se ontem com uma nuvem ainda mais sombria nas perspetivas de inflação, à medida que os preços do petróleo voltam a subir devido à ausência de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, alimentando novas especulações sobre subidas das taxas de juro.

Jim Reid

Analista do Deutsche Bank

Os preços estendem a tendência depois de ambos os tipos de crude terem subido mais de 5% na segunda-feira, na sequência da resposta de Trump às condições do Irão para um acordo de paz, com as suas próprias exigências de que o Irão pague uma indemnização pelas pessoas mortas em guerras, ataques e protestos, o que deverá complicar os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz. Do lado iraniano, um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou que, embora as negociações com Omã estivessem a “avançar de forma harmoniosa e construtiva, a reabertura estava condicionada à cessação das ações ilegais por parte dos EUA, ao levantamento do cerco e à indemnização pelos danos”.

Jim Reid recordou que este pedido de indemnização suscitou uma repreensão de Trump, que publicou que estava igualmente a exigir uma indemnização do Irão “pelas pessoas mortas pelo Irão em conflitos, bem como na repressão de protestos”. O presidente americano acrescentou que esta exigência seria incluída “de forma firme em todas e quaisquer negociações futuras”.

Dados compilados pela Reuters revelaram que o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu para seis navios na segunda-feira, em comparação com uma média de 10 dias de cerca de 11 navios. Numa nota divulgada na segunda-feira, os analistas do Barclays afirmaram que, na semana que terminou a 7 de agosto, as exportações líquidas de petróleo bruto e produtos refinados através do Estreito de Ormuz atingiram uma média de 3 milhões de barris por dia (bpd), uma descida em relação aos 4,4 milhões de bpd da semana anterior.

Antes do início do conflito com o Irão, no final de fevereiro, cerca de um quinto do abastecimento diário global de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo Estreito de Ormuz.

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