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Partidos afinam armas para a rentrée. PSD abre o jogo e PS antecipa regresso

PSD dá o pontapé de saída a 14 de agosto, com a Festa do Pontal. Socialistas regressam dois dias depois, em Olhão, enquanto o Chega ainda não tem planos definidos.

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O primeiro-ministro e líder social-democrata, Luís Montenegro (C), no final do seu discurso durante a Festa do Pontal

O novo ano político começa a ganhar forma antes mesmo do regresso oficial dos trabalhos da Assembleia da República. A partir da próxima sexta-feira, 14 de agosto, os partidos com assento parlamentar começam a voltar à estrada depois da pausa de verão, num calendário que se prolonga por quase um mês e que tem o Algarve como principal palco. A rentrée será marcada por duas efemérides: a Festa do Pontal, do PSD, e a Festa do Avante!, do PCP, chegam este ano à 50.ª edição.

A sessão legislativa só começa formalmente a 15 de setembro, mas os partidos aproveitam as semanas anteriores para apresentar prioridades, mobilizar militantes e preparar o novo ciclo político. O PSD será o primeiro a dar o pontapé de saída, seguindo-se PS e, duas semanas depois, a IL. A esquerda concentra também iniciativas no final de agosto e início de setembro, enquanto CDS, PAN, JPP e Livre fecham o calendário já em setembro. O Chega ainda não tem planos.

O calendário assume particular importância depois de um primeiro semestre parlamentar marcado por confrontos entre Governo e oposição, dificuldades do Executivo de Luís Montenegro para aprovar algumas das suas principais reformas e uma relação de forças no Parlamento que continua a obrigar a negociação diploma a diploma.

O PSD será o primeiro partido a regressar oficialmente à atividade política, com a Festa do Pontal, a 14 de agosto, no Calçadão de Quarteira. A iniciativa começa às 18h e assinala meio século da tradicional rentrée social-democrata. O evento terá intervenções do líder do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do presidente da distrital de Faro, Cristóvão Norte. Antes da festa está previsto um jogo de futebol entre a direção nacional do partido e a estrutura algarvia, estando ainda prevista a atuação dos UHF.

Mas o Pontal será mais do que um momento de convívio partidário. Será a primeira grande oportunidade para Montenegro marcar politicamente o início do novo ciclo e apresentar as prioridades do Governo para os próximos meses, num contexto particularmente exigente para o Executivo.

O primeiro-ministro chega à rentrée depois de um verão politicamente difícil, marcado, entre outros episódios, pela contestação à reforma laboral apresentada pelo Governo e pelo polémico processo relacionado com a Educação e a correção digital dos exames nacionais. A conjuntura política tem sido igualmente marcada por críticas da oposição à atuação de vários ministros, entre os quais, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, e o ministro da Administração Interna, Luís Neves.

A escolha de Montenegro de manter uma agenda política ativa durante o verão dá ainda maior peso à iniciativa. O primeiro-ministro decidiu não tirar férias prolongadas este ano e, segundo São Bento, pretende permanecer no país, coordenando a atividade do Governo e mantendo simultaneamente a agenda enquanto presidente do PSD.

A iniciativa do ano passado ficou marcada pela polémica em torno da presença de Montenegro numa altura em que Portugal enfrentava uma vaga de incêndios. O ambiente festivo e o anúncio, durante a iniciativa, do regresso da Fórmula 1 ao Algarve foram criticados pela oposição. O primeiro-ministro viria posteriormente a garantir que nunca tinha menosprezado a gravidade da situação.

O primeiro-ministro e líder social-democrata, Luís Montenegro (C), no final do seu discurso durante a Festa do Pontal
A Festa do Pontal vai assinalar 50 edições

PS antecipa rentrée e segue para Olhão

O PS não espera por setembro para regressar à atividade política. Os socialistas marcaram a rentrée para 16 de agosto, apenas dois dias depois da Festa do Pontal, escolhendo também o Algarve como cenário. A iniciativa decorrerá no Jardim Patrão Joaquim Lopes, em Olhão, sob a forma de um arraial popular. O partido apresenta o encontro como uma oportunidade para “reafirmar a força do projeto político do PS, renovar o compromisso com os portugueses e preparar o caminho para os desafios que temos pela frente”.

A antecipação é uma das principais novidades do calendário socialista. As rentrées do PS costumam realizar-se no início de setembro, mas uma fonte oficial do partido explicou que nunca existiu uma data fixa e que a escolha foi sempre ajustada à agenda política.

Será também a segunda rentrée de José Luís Carneiro como secretário-geral do PS. Em 2025, num ano marcado pelas eleições autárquicas, o regresso político do partido foi assinalado através de uma Convenção Autárquica Nacional em Coimbra, em vez do formato tradicional.

A escolha do Algarve coloca, assim, os dois maiores partidos portugueses frente a frente, com apenas 48 horas de diferença entre as respetivas iniciativas. O PSD abre a temporada e o PS responde praticamente de imediato.

Também a Iniciativa Liberal (IL) escolheu o Algarve para a sua rentrée. O partido marcou para 29 de agosto a iniciativa que, no ano passado, se designou “A’gosto da Liberdade”. A escolha mantém uma tradição recente dos liberais, que em 2025 realizaram igualmente a sua rentrée no Algarve, então em Albufeira.

A IL chega ao novo ciclo parlamentar depois de ter reforçado a sua presença na Assembleia da República nas últimas legislativas, num Parlamento cada vez mais fragmentado. A rentrée será, por isso, uma oportunidade para a liderança liberal afirmar a identidade do partido perante o eleitorado de centro-direita e marcar distância tanto do PSD como do Chega.

Bloco junta PS e velhos dirigentes no Fórum Socialismo

No último fim de semana de agosto, 29 e 30, o Bloco de Esquerda realiza o Fórum Socialismo, em Setúbal. A iniciativa, organizada pelo BE e pelo grupo parlamentar europeu The Left, mantém-se como o principal momento de rentrée bloquista.

O programa reúne atuais e antigos dirigentes do partido, mas também abre as portas a figuras do PS. Entre os convidados estão Alexandra Leitão e Isabel Moreira, duas socialistas que participarão em diferentes iniciativas. Alexandra Leitão estará num debate com Marisa Matias sobre os desafios que a esquerda enfrenta atualmente. Isabel Moreira participará num painel dedicado aos 50 anos da Assembleia Constituinte e à revisão constitucional.

A presença de duas figuras do PS numa iniciativa do BE é um dos elementos politicamente mais relevantes da rentrée bloquista, sobretudo num momento em que os partidos à esquerda do PS procuram redefinir espaço político num Parlamento onde a direita e a extrema-direita ganharam peso.

O Fórum contará ainda com intervenções de Mariana Mortágua, Francisco Louçã, Fernando Rosas, Luís Fazenda, Joana Mortágua e José Soeiro, além do atual coordenador bloquista, José Manuel Pureza.

Se o PSD celebra meio século de Pontal, o PCP celebra também 50 anos da Festa do Avante!. A iniciativa realiza-se de 4 a 6 de setembro, na Quinta da Atalaia, no Seixal, e será um dos maiores momentos políticos da rentrée.

O programa mantém a combinação entre política e cultura que caracteriza a iniciativa comunista. No cartaz musical estão nomes como Carolina Deslandes, Carlão, Pedro Jóia com Ney Matogrosso, António Zambujo, Yuri da Cunha, Aldina Duarte, Regula, JP Simões e The Black Mamba, entre muitos outros.

Mas o momento central será político: o tradicional comício de encerramento, com o discurso do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acompanhado pelas intervenções da dirigente da JCP Inês Castro e do diretor do jornal Avante!, Manuel Rodrigues.

A programação política inclui debates sobre a situação do país, com destaque para a educação, e iniciativas dedicadas à Constituição, incluindo a apresentação do livro “A Constituição Portuguesa — Passado, Presente e Futuro”, de António Filipe.

Livre fecha rentrée da esquerda no Porto

O Livre deverá realizar “Os Setembristas” nos dias 12 e 13 de setembro, na Alfândega do Porto, encerrando praticamente o calendário da rentrée partidária antes da reabertura do Parlamento.

O nome da iniciativa é uma referência ao movimento progressista associado à Revolução de Setembro de 1836. O programa ainda não foi divulgado na totalidade, mas as edições anteriores têm sido marcadas por debates e painéis com figuras de diferentes setores da esquerda.

O CDS-PP é um dos partidos que deixa a rentrée para depois da reabertura formal da Assembleia da República. Os centristas marcaram a sua iniciativa para 19 de setembro, no distrito de Aveiro, quatro dias depois do início da nova sessão legislativa. O partido ainda não divulgou os restantes detalhes.

A opção distingue-se da maioria das restantes forças políticas, que aproveitam agosto e o início de setembro para marcar posição antes do regresso dos trabalhos parlamentares.

O PAN deverá também regressar à atividade na primeira quinzena de setembro, no distrito de Lisboa. Segundo a informação disponibilizada pelo partido, a iniciativa deverá centrar-se em temas como a redução do IVA para a saúde e alimentação animal, os direitos das mulheres e das crianças e a transição climática.

O Juntos Pelo Povo (JPP) organiza a “Festa do Povo” a 5 de setembro, no Funchal. A iniciativa contará com atuações musicais e intervenções do secretário-geral do partido, Élvio Sousa, e da presidente, Lina Pereira. O partido madeirense mantém assim uma rentrée com forte implantação regional, num calendário que contrasta com a concentração de iniciativas dos maiores partidos no continente.

Chega ainda sem planos

Já o Chega é a incógnita do calendário. O partido de André Ventura ainda não definiu uma rentrée política, segundo a informação recolhida. No ano passado, na sequência dos incêndios, o partido substituiu a sua tradicional rentrée por uma cerimónia de homenagem às vítimas.

A ausência de uma iniciativa anunciada não deixa, contudo, o Chega fora do centro das atenções no arranque do novo ciclo político. O partido de André Ventura chega à rentrée com um estatuto parlamentar diferente daquele que tinha no início da anterior legislatura: é agora a principal força da oposição, depois de ter ultrapassado o PS em número de deputados nas eleições legislativas de 18 de maio de 2025.

Nas legislativas, a coligação AD, liderada por Luís Montenegro, voltou a ser a força mais votada, com 31,21% dos votos e 88 deputados. O Chega conseguiu 22,76% e 60 deputados, enquanto o PS ficou em terceiro lugar, com 22,83% dos votos e 58 deputados, segundo os resultados oficiais da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.

O resultado representou uma mudança histórica na composição da oposição parlamentar. Pela primeira vez, o Chega ficou à frente do PS em número de deputados, relegando os socialistas para a terceira força política da Assembleia da República. O partido passou de 50 deputados obtidos nas legislativas de 2024 para 60 em 2025, enquanto o PS caiu de 78 para 58.

Para além disso, André Ventura chega ao novo ciclo depois de ter disputado a segunda volta das presidenciais com António José Seguro. Na eleição presidencial, Seguro acabou por vencer com 66,8% dos votos, contra 33,2% de Ventura.

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