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Empresa de Buffett regressa às compras e fecha dois grandes negócios

A carteira da Berkshire Hathaway continua ancorada em cinco ações que pesam 66% do portefólio, num semestre marcado pela duplicação do lucro e pelo regresso do Oráculo de Omaha ao mercado.

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Warren Buffett voltou às compras em força no segundo trimestre. Após períodos em que as vendas dominavam, a Berkshire Hathaway — conglomerado do Oráculo de Omanha que negoceia com uma capitalização bolsista de 970 mil milhões de euros — investiu cerca de 34,5 mil milhões de euros em ações ao longo do primeiro semestre e vendeu 24,4 mi milhões de euros.

Esta atividade no mercado foi acompanhada por uma duplicação homóloga dos resultados líquidos no segundo trimestre para cerca de 22,5 mil milhões de euros.

A Berkshire Hathaway, agora liderada por Greg Abel, justifica este desempenho com “ganhos de investimento” e “lucros operacionais” de cerca de 11,4 mil milhões de euros, distribuídos pelos segmentos de seguros, ferrovia, energia, indústria, serviços e retalho.

As contas apresentadas na sexta-feira ao regulador do mercado de capitais dos EUA (SEC) mostram que o conglomerado do Oráculo de Omaha — como também é conhecido Buffett — regressou ao papel de comprador líquido em ações cotadas, ao mesmo tempo que se mostrou também particularmente ativo tanto nas compras como nas vendas.

  • No plano das alienações, a Berkshire Hathaway refere que as receitas provenientes da venda de ações foram de aproximadamente 24,4 mil milhões de euros entre janeiro e junho, 2,4 vezes acima dos números registados no mesmo período do ano passado, enquanto os títulos vendidos “geraram mais‑valias tributáveis de 2,3 mil milhões de dólares [cerca de 2 mil milhões de euros] no segundo trimestre e de 9,5 mil milhões nos primeiros seis meses de 2026 [cerca de 8,3 mil milhões de euros]”.
  • Ao nível das aquisições, a empresa de Buffett confirma que as compras de ações atingiram cerca de 34,5 mil milhões de euros, mais 42% do que o volume de vendas no mesmo período. Esta diferença ajuda a explicar a subida de 8,7% da carteira de ações para mais de 283 mil milhões de euros.

A desagregação da carteira por setores permite identificar que a “fatia de leão” das novas posições e reforços de participações já existentes vieram do segmento “comercial, industrial e outros”, com o custo de aquisição dos títulos a subir 41,5% para cerca de 72 mil milhões de euros — seja pela abertura de novas posições, seja pelo reforço de participações já detidas.

Em sentido contrário, a rubrica de “produtos de consumo” viu o custo de aquisição recuar 27% para 7,6 mil milhões de euros, sugerindo vendas líquidas nesta área, ao passo que em “bancos, seguros e finanças” o custo de aquisição aumentou ligeiramente (menos de 2%) para 13,8 mil milhões de euros.

A concentração das principais apostas mantém‑se elevada, com as cinco maiores participações a agregarem dois terços do portefólio de investimentos (cerca de um ponto percentual acima do rácio registado no final de 2025), com este leque de empresas a ser preenchido por Alphabet, American Express, Apple, Bank of America e Coca‑Cola.

Entre as principais posições do portefólio de Buffett, destaque ainda para um lote de ações preferenciais e warrants da Occidental Petroleum avaliados através de modelos de fluxo de caixa e de opções, e de participações por equivalência na Kraft Heinz e na própria Occidental. Fora de bolsa, a Berkshire selou duas operações de grande dimensão:

  • A 2 de janeiro concluiu a compra da OxyChem, o negócio químico da Occidental Petroleum, por cerca de 8 mil milhões de euros, incorporando ativos avaliados em 9,1 mil milhões, dos quais 6 mil milhões de euros em propriedades e equipamento.
  • Já a 31 de maio, assinou o acordo para adquirir a Taylor Morrison Home, uma promotora e construtora residencial norte-americana (que fornece ainda serviços financeiros como hipotecas, seguros e serviços de escritura aos seus clientes), por 72,50 dólares por ação, num negócio avaliado em cerca de 5,8 mil milhões de euros e concluído a 24 de julho, já fora do trimestre em análise.

Em paralelo a este cenário de expansão e de aumento do lucro do conglomerado empresarial de Buffett, os resultados da Berkshire Hathaway mostram alguns percalços nos bastidores operacionais.

É disso exemplo provisões de relevo para contingências legais, com a subsidiária PacifiCorp a reconhecer perdas prováveis de quase 2,5 mil milhões de euros devido a litígios associados aos incêndios florestais de 2020 e 2022; e ainda processos anti-concorrenciais enfrentados pela HomeServices, acusada de inflacionar comissões de mediação imobiliária.

Os números do primeiro semestre da empresa de Buffett confirmam a resiliência do modelo de negócio construído ao longo de décadas que se traduz numa rendibilidade média anualizada de 19,7% desde 1965 até ao final do ano passado, quase o dobro do desempenho do índice acionista norte-americano S&P 500.

Ao cruzar o regresso às aquisições nas bolsas com a entrada na indústria química e na promoção imobiliária, a Berkshire Hathaway, agora sob a liderança de Greg Abel, mostra capacidade para mobilizar capital em múltiplas frentes, assumindo uma postura de investimento ativa, capaz de absorver os embates judiciais das suas subsidiárias enquanto aplica a liquidez retida para garantir as fundações dos resultados dos próximos anos.

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