O eclipse solar que está previsto para 12 de agosto fará cair a produção de energia solar prevista para as horas do fenómeno em 45%, indica a REN — Redes Energéticas Nacionais, em comunicado divulgado esta segunda-feira.
A REN garante que tem estado, em estreita colaboração com os restantes operadores europeus de redes de transporte de eletricidade, a preparar o Sistema Elétrico Nacional (SEN) para os efeitos do eclipse solar, quase total. O eclipse terá magnitudes esperadas entre os 92% e os 100% em Portugal continental.
O fenómeno, que terá maior expressão no norte do país, ocorrerá entre as 18h30 e as 20h30 do próximo dia 12 de agosto e irá provocar uma perda de geração solar estimada em 450 megawatts (MW), o que representará cerca de 7% do consumo e 45% da produção solar do Sistema Elétrico Nacional prevista para este horário, considerando valores médios. Face à ponta de produção solar prevista, o impacto do eclipse estima-se em cerca de 15%.
Durante o eclipse, prevê-se uma perda máxima de 35 MW por minuto. Para mitigar os impactos da perda de geração associada a este eclipse “será necessário mobilizar reservas adicionais com geração hídrica e/ou térmica”, antecipa o operador da rede de transporte.
O efeito deste Eclipse quase total em Portugal tem menos impacto dado o horário em que ocorrerá (final da tarde), onde a produção solar já estará em queda, tendo, por isso, como principal efeito a redução mais acentuada do que o normal da produção solar, combinado com o aumento do consumo decorrente da evolução para a hora de ponta de consumo do dia (fim de tarde/início da noite).
Estes valores contabilizam apenas a produção solar centralizada, deixando de fora outra produção solar associada a algumas Unidades de Produção para Autoconsumo, “que também terão um efeito no aumento do consumo”, indica a REN, num comunicado enviado às redações. Este efeito está também a ser estimado pela REN e devidamente incorporado nas previsões de consumo para esse dia, de modo a reduzir e mitigar, em tempo real, os efeitos inesperados.
Já ao nível da área síncrona europeia estima-se uma perda de produção aproximada de 9.700 MW.
Ler maisSol foi principal fonte de eletricidade pela primeira vezEm julho, a produção solar abasteceu 19% do consumo, o primeiro mês em que a tecnologia solar foi dominante no sistema nacional face às outras produções renováveis, onde a hídrica teve uma expressão de 16%, a eólica 13% e a biomassa 5% do consumo nacional.
Nos últimos meses, Portugal tem mantido uma trajetória sustentável na progressiva incorporação de fontes renováveis endógenas, apoiado por sucessivos recordes na produção de energias renováveis, enquanto mantém os objetivos primordiais de segurança de abastecimento e de qualidade de serviço no SEN, mesmo em situações mais desafiantes.






