Depois de o Automóvel Club de Portugal (ACP) defender a realização de um referendo municipal para proibir as trotinetes elétricas em Lisboa, os operadores Bolt, Lime e Byrd contestam a proposta, considerando que “associa um problema real a uma solução errada”.
Em comunicado, defendem que eliminar as trotinetes partilhadas “não resolveria” os problemas de segurança rodoviária e apenas retiraria de circulação “a frota mais regulada da cidade”.
As operadoras de micromobilidade defendem que as trotinetes partilhadas estão sujeitas a um conjunto de regras e mecanismos de controlo, incluindo autorizações municipais, seguros, limites de velocidade, zonas obrigatórias de estacionamento e sistemas de geofencing (limite virtual através de GPS ou Internet).
Segundo as empresas, uma eventual proibição acabaria por eliminar precisamente a frota mais regulada, deixando de fora as trotinetes privadas, que não estão sujeitas ao mesmo nível de fiscalização.
Os operadores citam ainda dados da PSP segundo os quais, nos primeiros quatro meses de 2025, foram registados 623 acidentes envolvendo bicicletas e trotinetes elétricas, o equivalente a 3,6% do total de acidentes rodoviários registados no mesmo período, sem vítimas mortais.
Ainda que os números agreguem bicicletas, trotinetes privadas e partilhadas e não distingam Lisboa do resto do país, consideram que demonstram que a micromobilidade partilhada está longe de ser a principal causa da sinistralidade rodoviária.
Em vez de uma proibição, defendem medidas como o reforço da fiscalização, o investimento em infraestruturas de estacionamento, a expansão das zonas de velocidade reduzida através de geofencing e a definição de limites para o número de veículos em circulação, em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa. Na perspetiva dos operadores, estas soluções permitiriam aumentar a segurança rodoviária sem eliminar um serviço de mobilidade partilhada.
Por outro lado, o ACP defende que a decisão sobre a continuidade das trotinetes elétricas partilhadas em Lisboa deve ser tomada pelos próprios lisboetas, através de um referendo municipal. A pergunta proposta à Assembleia Municipal passa por saber se o município deve deixar de autorizar a exploração destes sistemas no domínio público municipal após o fim das atuais autorizações.
Entre os argumentos apresentados pelo ACP estão o aumento da sinistralidade, os riscos para peões e utilizadores, a ocupação indevida dos passeios e a falta de fiscalização efetiva. O clube reconhece que as trotinetes podem trazer vantagens ao nível da mobilidade sustentável e da ligação entre transportes públicos e destinos finais, mas considera que os problemas associados à sua utilização justificam o debate sobre a sua permanência no espaço público de Lisboa.






