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Oposição endurece tom contra Luís Neves. Do apelo à “ordem no Governo” ao pedido de demissão

Partidos questionam silêncio do primeiro-ministro sobre o caso do ministro e pedem para pôr ordem na casa. PS diz que Montenegro tem de tomar “decisões difíceis” e Chega pede demissão de Luís Neves.

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A oposição endureceu o tom das críticas ao ministro da Administração Interna, mas também ao silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, após novos desenvolvimentos na polémica com Luís Neves. O PS considera que a situação “atingiu o limite do admissível” e apela à “ordem no Governo”, enquanto o Chega pede a demissão do governante antigo diretor da Polícia Judiciária (PJ).

Na quinta-feira foi conhecido que o Ministério da Justiça ordenou uma auditoria interna à PJ na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro.

Ler maisMinistério da Justiça pede auditoria à Polícia Judiciária

O Ministério da Justiça afirma, ao ECO/Advocatus, que a “avaliação” serve para “enquadrar as questões que têm vindo a ser divulgadas relativamente ao “funcionamento interno da PJ” e aos “processos de avaliação eventualmente instaurados pela Direção de Serviços de Disciplina e Inspeção”. Paralelamente à “avaliação interna”, a Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça – que procede regularmente à auditoria e inspeção de todos os organismos da Justiça – vai realizar uma auditoria à PJ.

Luís Neves saudou a realização desta auditoria, reiterou que está “absolutamente tranquilo” e “desejoso, se necessário for, de colaborar e contribuir” com o seu “conhecimento para essas questões”. Ao longo da semana veio a público que o Ministério Público junto do Tribunal de Contas (TdC) pediu sanções a Luís Neves por alegadas irregularidades financeiras enquanto diretor da PJ, decisão que o ministro decidiu contestar, pelo que vai a julgamento na entidade liderada por Filipa Urbano Calvão. Em causa estão viagens feitas durante o seu mandato enquanto diretor nacional da PJ que não têm faturas.

PS apela a Montenegro para “pôr ordem no Governo”

O PS defendeu esta sexta-feira que a situação do ministro da Administração Interna “atingiu o limite do admissível no quadro do normal funcionamento das instituições” e exortou o primeiro-ministro a “pôr ordem no Governo” e a “tomar decisões difíceis”.

“São desenvolvimentos com especial gravidade. O assunto em torno do ministro da Administração Interna atingiu o limite do admissível no quadro do normal funcionamento das instituições. Já temos o Governo a investigar o Governo, a ministra da Justiça a promover o inquérito das atividades de um do seu colega de Governo”, criticou, em declarações à agência Lusa, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.

Segundo o dirigente do PS, o primeiro-ministro “é o responsável exclusivo, único pela composição do Governo” e o líder socialista, José Luís Carneiro, já tinha transmitido a Luís Montenegro “que era muito urgente tomar as medidas necessárias para salvaguardar as instituições democráticas”. “E, nesse sentido, mais uma vez exortamos o senhor primeiro-ministro a pôr ordem no Governo e a defender o respeito pelas instituições, que é aquilo que neste momento está em causa”, pediu.

Mais uma vez exortamos o senhor primeiro-ministro a pôr ordem no Governo e a defender o respeito pelas instituições, que é aquilo que neste momento está em causa.

Questionado se o único caminho para Luís Neves é sair do Governo, Eurico Brilhante Dias não respondeu diretamente e disse apenas: “o caminho central é o senhor primeiro-ministro exercer as funções de primeiro-ministro e colocar ordem no Governo. Isso passa por tomar seguramente decisões difíceis”.

“Já temos um membro do Governo que apela à Polícia Judiciária para abrir um inquérito a outro colega de Governo, neste caso o ministro da Administração Interna, que foi Diretor-Geral da Polícia Judiciária”, disse. A PJ, de acordo com Eurico Brilhante Dias, está sob “um escrutínio de todo inédito”.

Ler maisLuís Neves vai a julgamento pelo Tribunal de Contas

Chega pede demissão do ministro

O Chega pediu novamente a demissão do ministro da Administração Interna, após as notícias vindas a público na quinta-feira. Em comunicado, o partido liderado por André Ventura argumenta “com os factos que se foram sabendo nas últimas semanas, da atuação do ministro Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária”.

O Chega teve já, e reforça, uma posição firme e clara sobre o assunto: a necessidade de assunção de responsabilidades e a cessação de funções de Luís Neves enquanto ministro da República, e o anúncio — já formalizado — de uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos do mesmo na instituição“, apela.

O Chega teve já, e reforça, uma posição firme e clara sobre o assunto: a necessidade de assunção de responsabilidades e a cessação de funções de Luís Neves enquanto ministro da República, e o anúncio – já formalizado – de uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos do mesmo na instituição.

Partido Chega

Para o Chega, “só num governo muito disfuncional e desequilibrado é que uma ministra da Justiça pode ordenar uma investigação/auditoria ao trabalho de um colega que se mantém em funções e isso ser visto como normal ou regular”. “Não é, nem nunca poderia ser, mas evidencia como o primeiro-ministro Luís Montenegro perdeu por completo o controlo da situação“, indica.

“Desconhecemos se o objetivo do Governo foi ou não o de condicionar uma futura comissão de inquérito parlamentar, ou até anulá-la, mas uma averiguação do Governo não pode de maneira nenhuma substituir uma investigação parlamentar independente, sobretudo num caso gravíssimo como este”, considera.

a Iniciativa Liberal, que apelou ao Presidente da República para estancar o “degradar as instituições”, pediu na quarta-feira uma audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, Luís Neves, do proprietário da Construbarcelos, João Carvalho, e do diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, bem como da atual e anterior ministra da Justiça. No entanto, no final de julho, a AD travou a audição de Luís Neves, ministro da Administração Interna, e de Rita Júdice, ministra da Justiça, no Parlamento, em sede de Comissão Permanente da Assembleia da República, proposta pelo Chega.

“Onde pára o primeiro-ministro?”. Livre questiona ausência de Montenegro

O coporta-voz do Livre, Jorge Pinto, questionou o silêncio do primeiro-ministro numa altura em que a ministra da Justiça anunciou uma audição que envolve um colega de Governo. “Quando temos uma ministra a investigar a ação de um colega de Executivo, impõe-se a pergunta: onde anda o primeiro-ministro? O Governo está em auto-gestão? Já há ministros a investigar ministros sem que o primeiro-ministro tenha uma palavra a dizer?”, escreveu na rede social Bluesky.

Para Jorge Pinto, “para a governação do país o primeiro-ministro tirou mesmo férias”. “O caso Spinumviva levou Montenegro a abdicar da bitola ética mínima na condução do Governo. Como seria de prever, isso resultou numa quebra de autoridade, que já não é só moral mas também política. E é penoso de ver esta desagregação”, acrescentou.

Fonte: Bluesky de Jorge Pinto, coporta-voz do Livre

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