O Irão alertou os países do Golfo que retaliará contra infraestruturas energéticas críticas e ativos militares norte-americanos na região caso os Estados Unidos lancem novos ataques contra o seu território, depois de o Presidente americano, Donald Trump, ameaçar atingir instalações energéticas iranianas caso as negociações falhem.
A mensagem foi transmitida através de contactos diplomáticos de alto nível, segundo adiantaram, sob condição de anonimato, dois altos funcionários iranianos, duas fontes do Golfo e um diplomata regional com conhecimentos das discussões à Reuters.
Ler maisExportações de crude do Golfo 40% abaixo de antes da gueraSegundo as cinco fontes, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Aragchi, falou com os homólogos da Arábia Saudita, Qatar e Turquia, além do chefe do Exército paquistanês, apelando aos aliados regionais de Washington para usarem a sua influência junto da Administração Trump e evitarem uma nova ofensiva militar.
Durante esses contactos, Teerão terá advertido que qualquer ataque desencadeará represálias contra instalações energéticas, refinarias, redes elétricas, infraestruturas de transporte e campos petrolíferos no Golfo.
“Estamos prontos para retaliar, mas encontrar uma solução diplomática é a melhor forma de evitar uma maior escalada e destruição em toda a região”, referiu o diplomata regional à agência noticiosa.
Ler maisIrão e Omã acordam coordenadas da rota no Estreito de OrmuzDe acordo com as mesmas fontes, a Arábia Saudita pediu a Washington que privilegie uma solução diplomática e evite uma nova escalada militar, embora tenha deixado claro que responderá militarmente caso o seu território seja atacado.
“A Arábia Saudita acredita que uma maior escalada trará apenas mais destruição. É por isso que instou Trump a dar uma oportunidade à diplomacia”, disse uma das fontes do Golfo.
O Irão considera que a ameaça de atingir infraestruturas críticas da região aumenta o custo político e económico de uma nova intervenção norte-americana, procurando pressionar os parceiros dos EUA a favorecerem um regresso às negociações.
Tráfego marítimo cai após ataque reivindicado pelos Houthis
A tensão regional refletiu-se também no tráfego marítimo dos dois principais corredores de exportação de petróleo da região. Em julho, as exportações de petróleo bruto e condensados do Golfo mantiveram-se cerca de 40% abaixo dos níveis anteriores à guerra.
Apenas dois navios atravessaram o Estreito de Ormuz na quarta-feira, muito abaixo dos cerca de 130 a 140 navios que normalmente utilizavam esta rota antes da guerra no Médio Oriente, enquanto no Estreito de Babel-Mandeb foi registada apenas a passagem de um navio de mercadorias, face aos 20 do dia anterior, segundo dados da plataforma Kpler, vistos pela Reuters.
A redução do movimento ocorreu depois de os rebeldes Houthis, apoiados pelo regime de Teerão, reivindicarem ataques com mísseis contra dois petroleiros sauditas, um ao largo da cidade portuária Yanbu, no Mar Vermelho, e outro no Golfo de Áden.
As autoridades sauditas não confirmaram os incidentes. O grupo xiita justificou as ações com o bloqueio naval imposto à Arábia Saudita desde o mês passado, alegando que Riade mantém um cerco ao Iémen, acusação rejeitada pelo reino saudita.






