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Futuro da BMA passa pela aposta no contencioso “complexo” e de “elevada exigência”

O sócio da BMA, Paulo Monteverde, fez um balanço positivo das quase duas décadas de atividade e revela que a firma quer reforçar a sua posição em áreas como o contencioso civil e criminal.

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Há 18 anos no mercado de advocacia português, a BMA – Baptista, Monteverde & Associados atravessa agora um desafio que o sócio Paulo Monteverde assume que já não é “novo”: o de garantir que a equipa compreenda e adere “plenamente” à metodologia de trabalho do escritório e assegurar uma “adequada gestão das expectativas dos clientes” relativamente ao tipo de serviço que prestam.

“Um dos nossos maiores desafios continua a ser criar, em toda a equipa, a convicção de que a metodologia deve ser seguida com precisão. A diferença entre um bom serviço e um serviço verdadeiramente excelente está muitas vezes na capacidade de ter em conta detalhes de forma quase milimétrica”, assume o sócio.

A equipa da BMA é atualmente composta por cerca de 20 profissionais, aos quais acrescem seis parcerias regulares em matérias técnicas específicas. “Esta combinação entre uma equipa interna coesa e uma rede de parceiros técnicos de confiança é particularmente importante nas áreas em que atuamos, onde os temas são muitas vezes complexos, multidisciplinares e exigem uma abordagem muito rigorosa”, revela Paulo Monteverde.

Paulo Monteverde, sócio da BMA

Áreas como propriedade industrial, farmacêutica e contencioso civil e criminal foram algumas das apostas do escritório que contribuíram para o seu crescimento ao longo dos anos. “A propriedade industrial esteve na génese da BMA e continua a ser uma área absolutamente central na nossa atividade. Foi a partir daí que construímos grande parte do nosso posicionamento, do nosso reconhecimento internacional e da relação com muitos clientes estrangeiros que continuam a confiar-nos assuntos relevantes em Portugal”, explica à Advocatus.

Sobre a área farmacêutica, Paulo Monteverde sublinha que teve um papel “muito importante” no crescimento da firma pela sua “complexidade técnica, regulamentar e estratégica”.

Por outro lado, o contencioso também foi ganhando autonomia na BMA e, no futuro, o sócio revela que é a principal área que pretendem continuar a apostar, sobretudo o contencioso “complexo” e de “elevada exigência”.

“Todas as empresas podem, um dia, enfrentar “aquele” contencioso, um processo excecional, pela sua complexidade, importância ou impacto, que pretendem confiar a uma sociedade que não é necessariamente a sua sociedade habitual. Nesses momentos, o critério deixa de ser a rotina da relação e passa a ser a confiança em quem tem a experiência, a força e a especialização necessárias para lidar com situações extremas”, garante o sócio.

BMA: uma sociedade de “nicho”

Dos 18 anos de atividade, Paulo Monteverde faz um balanço “muito positivo”, e sublinha que paralelamente à área de propriedade industrial foram-se consolidando noutras áreas estratégicas, como farmacêutica, tecnologia, cibersegurança e proteção de dados, no contencioso civil e no contencioso criminal.

Esse crescimento não foi apenas quantitativo, tratou-se sobretudo de um crescimento em especialização, em sofisticação dos assuntos e na capacidade de acompanhar clientes internacionais e nacionais em desafios cada vez mais complexos”, assume o sócio da BMA, garantindo que nunca tiveram o objetivo de serem um escritório full service.

Paulo Monteverde assegura ainda que os objetivos traçados foram alcançados e, em vários aspetos, “manifestamente excedidos”. “Outro objetivo essencial, desde o início, foi a afirmação junto de clientes internacionais. O nosso target inicial foi, em larga medida, o mercado estrangeiro. Ainda hoje, cerca de 80% da nossa faturação provém de clientes internacionais, o que demonstra a confiança que o mercado externo deposita no nosso trabalho”, diz.

O sócio destacou ainda como um marco importante do percurso da BMA a mudança de instalações há cerca de quatro anos e garante: a ética é fundamental.

“Os pilares da missão da BMA são, antes de mais, a ética, o rigor técnico, a especialização e a dedicação. Para nós, o ponto de partida é sempre o caráter! Não cometemos o erro de colocar a competência técnica à frente da integridade ou do sentido de responsabilidade. A qualidade técnica é absolutamente essencial, mas só tem verdadeiro valor quando assenta numa cultura de ética”, sublinha.

No mercado definem-se como uma “sociedade de nicho”, altamente especializada e que procura estar ao “mais alto nível” nas suas áreas core. “Por vezes dizemos internamente que procuramos representar uma certa ideia de “luxo” na advocacia, não no sentido ostensivo do termo, mas como reflexo da atenção ao detalhe, da exigência, da personalização, da discrição e da excelência. Queremos que o cliente sinta que está a entregar os seus assuntos mais relevantes a uma equipa especializada, próxima, criteriosa e verdadeiramente comprometida com o resultado”, acrescenta.

Um futuro mais tecnológico

E o que planeiam para o futuro? Paulo Monteverde assegura que os próximos passos para o crescimento passam por consolidar e tornar “mais visível” no mercado a aposta da BMA no contencioso civil e criminal.

“O desafio agora é garantir que o mercado tenha uma perceção mais clara dessa capacidade. Temos uma equipa muito preparada, resiliente e habituada a trabalhar em conjunto em contextos de elevada pressão”, nota. Assim, considera que, “mais do que abrir novas áreas de prática de forma dispersa”, o crescimento do escritório passará por aprofundar essa aposta.

Uma coisa é certa, as perspetivas para os próximos anos são “muito positivas”, mas também “exigentes”, segundo Paulo Monteverde, que sublinha que a advocacia está a atravessar uma “transformação profunda”, muito impulsionada pela inteligência artificial (IA).

Paulo Monteverde, sócio da BMA

“Temos vindo a incorporar ferramentas de IA no nosso trabalho, criando procedimentos internos que permitam gerar maior eficiência, profundidade de análise e capacidade de resposta, sem comprometer o rigor técnico, a confidencialidade e o sentido crítico que a profissão exige. A tecnologia não substitui o advogado, deve antes reforçar a sua capacidade de estudo e preparação estratégica”, garante.

O sócio acrescenta ainda que o objetivo é que a equipa trabalhe com “mais eficiência”, mas também com “maior profundidade”, aproveitando a tecnologia para libertar tempo para aquilo que é verdadeiramente essencial: o “pensamento jurídico e a estratégia”.

Sobre uma possível expansão para outras cidades portuguesas, o sócio revela que não está nos planos, até porque trabalham regularmente com clientes de várias regiões do País. “A nossa experiência demonstra que, nas áreas em que atuamos, a proximidade ao cliente não depende necessariamente da existência de vários escritórios, mas sim da disponibilidade, da capacidade de resposta e da qualidade do acompanhamento prestado”, diz.

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