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«Portugal ainda não percebeu que a era do dinheiro barato acabou»

Economista-chefe de um dos maiores bancos nacionais avisa que a próxima década vai ser feita de escolhas difíceis e que o país continua a orçamentar como se os juros fossem voltar a zero.

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  • Recebe o ECO num gabinete com vista para o Tejo e começa por avisar que não vai dar respostas confortáveis.
  • Em hora e meia de conversa, falou de dívida, de habitação e do que chama «o problema que ninguém quer nomear».
  • O que não era normal foi a década em que uma empresa se financiava a 1% e um Estado a zero.

Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Recebe o ECO num gabinete com vista para o Tejo e começa por avisar que não vai dar respostas confortáveis. Em hora e meia de conversa, falou de dívida, de habitação e do que chama «o problema que ninguém quer nomear».

O Banco Central Europeu parou de descer juros. Isso é bom ou mau para Portugal?

Nem uma coisa nem outra. É o normal. O que não era normal foi a década em que uma empresa se financiava a 1% e um Estado a zero. Construímos hábitos em cima de uma anomalia e agora chamamos-lhe crise.

A conversa decorreu na sede do banco, em Lisboa, durante a manhã.
A conversa decorreu na sede do banco, em Lisboa, durante a manhã.© Direitos reservados

Que hábitos, em concreto?

Orçamentar despesa permanente com receita extraordinária. Enquanto o custo da dívida caía todos os anos, isso ficava escondido — havia sempre uma poupança na fatura dos juros para tapar o buraco. Agora não há.

Ler mais«A inteligência artificial não vai roubar empregos, vai roubar tarefas»

Isso é um problema de quem governa ou de quem orçamenta?

É um problema de incentivos. Quem apresenta um orçamento a três anos não é julgado pelo que acontece no quarto. E as regras europeias, que deviam corrigir isso, foram desenhadas para outra realidade de taxas.

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