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Sismo na Colômbia abre frente de perdas para seguradoras. Fundo de Catástrofes reduzido

Os dados ainda são escassos, mas é entendido por fontes internacionais que deve existir um elevado gap de proteção sísmica de habitações e um fundo de catástrofes mais dirigido à emergência imediata.

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O terramoto de 10 de agosto, com epicentro a uma profundidade de 103 Km em San José del Palmar, no Chocó, foi o sismo de maior magnitude – 7,4 – registado na Colômbia no século XXI. Com danos concentrados no oeste do país, o evento deverá gerar sinistros em habitação, empresas, infraestruturas e outros ramos patrimoniais.

A localização do epicentro é particularmente relevante para compreender a dimensão da tragédia: trata-se de uma zona com elevada vulnerabilidade social e construtiva, mas o sismo foi sentido em grande parte do país e provocou danos em centros urbanos muito mais distantes. Além de Chocó, entre as regiões e cidades mais atingidas ou com danos reportados encontram-se Risaralda, Caldas e Valle del Cauca, com impactos particularmente relevantes em Quibdó, Pereira, Manizales e Cali.

O Copernicus Emergency Management Service, entidade da União Europeia, identificou danos significativos no oeste e centro da Colômbia, incluindo colapsos de edifícios em Quibdó, Pereira, Manizales e Cali.

Entre as companhias mais expostas estão as seguradoras locais SURA, Bolívar, Mapfre, Allianz e AXA Colpatria embora não exista ainda uma estimativa pública consolidada das perdas seguradas provocadas pelo sismo. As seguradoras estão numa fase inicial de receção e avaliação dos sinistros.

A exposição dos grandes resseguradores internacionais — como Mapfre Re, Munich Re, Swiss Re, Hannover Re, SCOR, Everest e os sindicatos do Lloyd’s — dependerá, portanto, dos tratados que suportam as carteiras colombianas e das camadas de catástrofe atingidas pelo evento.

Uma das questões centrais após o sismo é saber até que ponto o Fondo Nacional de Gestión del Riesgo de Desastres (FNGRD) consegue funcionar como amortecedor financeiro. O FNGRD não é uma seguradora pública que indemniza automaticamente as casas destruídas ou reembolsa as seguradoras pelos sinistros pagos, é um instrumento financeiro do Estado colombiano destinado à gestão do risco de desastres.

Informação obtida junto do Banco Mundial aponta para que a Colômbia tem experiência na utilização de instrumentos internacionais de transferência do risco sísmico. Em 2018, o país participou num programa do Banco Mundial que permitiu transferir para os mercados de capitais 400 milhões de dólares de risco de terremoto através de uma cat bond.

Relatórios separados das cidades afetadas apontam que o número de mortos ascendia a 254 na terça-feira de manhã, com 101 vítimas em Pereira, coração da região cafeeira, e 95 em Cali, a terceira maior cidade do país.

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