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Seguradoras recuam no Mar Vermelho e ampliam exclusões de cobertura de guerra

As ameaças dos houtis do Iémen à navegação comercial levam a novas restrições das seguradoras a partir do próximo dia 16 de agosto. Arábia Saudita passa a ser zona de máximo risco.

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Os principais clubes de proteção e indemnização (P&I) estão a reduzir a exposição ao risco de guerra no Mar Vermelho, Golfo de Áden e oeste do Oceano Índico, refere o jornal Splash 247.com. As novas exclusões, que entram em vigor a 16 de agosto, abrangem uma área significativamente maior do que algumas das restrições anteriores e refletem a deterioração da avaliação do risco associada à campanha dos Houthis contra a navegação comercial.

Segundo o jornal, o mercado de seguros marítimos está a recuar perante o agravamento da ameaça no Mar Vermelho. Nos últimos dias, vários dos principais clubes P&I, incluindo NorthStandard, UK P&I Club, The Swedish Club e London P&I, emitiram notificações aos seus segurados alterando a cobertura de riscos de guerra em determinadas zonas do Médio Oriente e do Oceano Índico.

As alterações, desencadeadas também pela posição assumida pelos resseguradores comerciais dos clubes, deverão produzir efeitos a partir de 16 de agosto.

A nova área de exclusão estende-se para sul da latitude 25°30’N no Mar Vermelho, atravessa o Golfo de Áden e prolonga-se pelo oeste do Oceano Índico. A delimitação inclui expressamente o Bab el-Mandeb Traffic Separation Scheme, a costa do Iémen e uma parte substancial da costa ocidental da Arábia Saudita.

A latitude de 25°30’N é particularmente relevante porque coloca uma área maior do Mar Vermelho dentro da zona considerada de maior risco, aproximando as restrições das principais rotas marítimas utilizadas por navios que entram ou saem do Canal do Suez.

Não é uma retirada dos P&I

A decisão não significa, contudo, uma retirada generalizada dos clubes P&I do Mar Vermelho. O impacto concentra-se sobretudo nos componentes de risco de guerra que são comercialmente ressegurados, nomeadamente em determinadas apólices de P&I de prémio fixo, responsabilidades de afretadores (charterers’ liability), extensões não mutualizadas e outras coberturas complementares.

Em vários casos, os clubes admitem que essas coberturas possam ser recompradas ou restabelecidas mediante negociação específica, com condições e prémios ajustados ao novo nível de risco.

A distinção é importante. O seguro P&I mutualista tradicional, que cobre uma vasta gama de responsabilidades dos armadores, não está a ser simplesmente cancelado. O que está em causa é sobretudo a capacidade de manter determinadas extensões de risco de guerra dentro das condições anteriormente contratadas.

Resseguradores ditam o ritmo

A dimensão e a coordenação das alterações são, porém, um sinal particularmente forte para o mercado. Os clubes P&I dependem em larga medida do mercado de resseguro para riscos de elevada severidade, sobretudo quando estão em causa eventos de guerra capazes de provocar perdas de centenas de milhões de dólares.

Quando os resseguradores reduzem a capacidade disponível ou alteram as condições para determinadas zonas, os clubes têm de repercutir essa alteração nas suas próprias condições de cobertura.

O resultado é uma espécie de efeito dominó no mercado marítimo: o agravamento da ameaça militar aumenta o preço e reduz a disponibilidade do resseguro; os clubes passam a limitar a exposição; e os armadores enfrentam custos superiores ou necessidade de contratar capacidade adicional no mercado especializado de guerra.

O Mar Vermelho e o estreito de Bab el-Mandeb constituem uma das principais passagens marítimas entre o Mediterrâneo e o Oceano Índico. Qualquer agravamento do risco de ataque tem consequências que ultrapassam o próprio transporte marítimo, afetando cadeias logísticas, preços de frete, tempos de trânsito e custos de seguro.

A ameaça já tinha levado numerosas companhias de navegação a alterar rotas e a evitar o Canal do Suez, optando pelo percurso mais longo em torno do Cabo da Boa Esperança.

Para as seguradoras e resseguradoras, o problema é particularmente complexo: não se trata apenas da probabilidade de um navio ser atingido, mas também da possibilidade de uma ocorrência gerar perdas de carga, danos no navio, responsabilidades perante terceiros, custos de salvamento, bloqueio de portos ou vias marítimas e interrupções prolongadas da atividade.

Uma das alterações mais significativas das novas delimitações é a extensão para norte da zona considerada de risco. Ao estabelecer a latitude 25°30’N como referência, os novos mapas de risco passam a abranger uma parte consideravelmente maior da costa ocidental da Arábia Saudita. Esta mudança é relevante para o mercado porque aumenta a área geográfica em que um navio pode necessitar de cobertura de guerra contratada separadamente, elevando potencialmente o custo de uma viagem que atravesse o Mar Vermelho.

A cobertura deixa assim de ser apenas uma questão relacionada com a passagem pelo estreito de Bab el-Mandeb ou pela costa do Iémen.

 

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Comentários (1)

  • Fala Verdade

    segurradoras…mas essa m vale alguma coisa, Vão ao Portal da queixa e vejam os incumprimentos e aldrabices, as coberturas afinal não cobrem nada, os aldrabões inventam esfarrapadamente exclusões por todo o lado e depois ainda vêm que se deve ter seguro disto e daquilo, mas para quê se nada cobre e não funcionam, não cumprem. Cuidado! Não confiem nisso!

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